O domingo amanheceu cinza. O tipo de dia em que até o vento parece cansado. Laura acordou com o corpo pesado e a alma em pedaços. Tinha dormido m*l — ou quase nada. Cada vez que fechava os olhos, via os flashes, os rostos, as risadas. A vergonha ainda queimava. Beatriz entrou no quarto devagar, com o olhar curioso e assustado. — Mana? — Oi, amor. — Por que tão falando de você na TV? Laura travou. — Tão falando o quê? — Que você brigou com a mãe do moço bonito. Ela respirou fundo. — É, a gente discutiu um pouco. — Você tá triste? — Um pouco. — Mas você não fez nada errado, né? — Não, amor. Eu só vivi. Beatriz assentiu, séria. — Então quem devia tá triste é quem mente. E saiu, deixando Laura sem palavras. Como uma criança podia entender tão bem o que o mundo adulto dist

