A chuva tinha parado, mas o cheiro de terra molhada ainda invadia o ar. Laura passou o dia em silêncio, mexendo nas mesmas coisas, fingindo estar ocupada. Beatriz brincava na sala, e Lucas estudava. Mas ela não via nada, não ouvia nada. A mente voltava, insistente, para a noite anterior. O carro preto. A praia. A voz calma de Gabriel dizendo que o amor não é castigo. Fechou os olhos e sentiu de novo o toque da mão dele — leve, respeitoso, quase impossível. Era o tipo de toque que machucava de um jeito diferente. Não pelo que fazia, mas pelo que despertava. Fazia anos que ninguém a tocava sem intenção. E, agora, bastava lembrar pra sentir o peito apertar. “Eu não posso me permitir isso”, pensou. “Não posso me enganar achando que mereço mais do que tenho.” O amor, para Laura, s

