Era sexta-feira, mas para Laura, todos os dias pareciam o mesmo. As horas corriam entre telefonemas, olhares atravessados e tentativas de manter a cabeça erguida. O trabalho estava se tornando uma rotina que ela ainda aprendia a suportar — não pela função, mas pelo peso invisível do julgamento. Naquela manhã, Gabriel chegou mais cedo do que o habitual. O terno escuro e o sorriso contido denunciavam que algo o incomodava. Ele parou na frente da mesa dela. — Você já tomou café hoje? — perguntou. — Ainda não. — Ótimo. Então vem comigo. — O quê? — Preciso sair um pouco do escritório. E quero companhia. Laura piscou, confusa. — Companhia… minha? — Sim. Ou você vai me deixar tomar café sozinho? Os colegas olharam, curiosos. Laura sentiu o rosto corar. — Gabriel, eu tô em horário

