Naquela manhã, Laura acordou com o corpo leve e a mente cansada. O trabalho estava se tornando rotina, mas a cada dia, o mundo novo parecia mais perigoso — não por armas, mas por palavras. No submundo, o inimigo vinha de frente; ali, ele usava perfume caro e sorriso falso. Vestiu a mesma camisa branca, prendeu o cabelo e passou um batom discreto. Olhou-se no espelho. Tentava parecer confiante, mas os olhos entregavam o medo que nunca a abandonava. “A coragem não é ausência de medo. É andar mesmo tremendo.” Pegou o crachá, beijou a testa dos irmãos e saiu antes que o sol ficasse forte. No caminho, pensou em Gabriel. Ele não era só o homem da praia — era também o chefe, o protetor, o problema. E talvez o sentimento crescendo dentro dela fosse um erro tão perigoso quanto o passado

