O sábado amanheceu com cheiro de pão fresco vindo da vizinha. O sol batia pelas frestas da janela, e Laura acordou com a sensação estranha de paz. Não era felicidade — era o alívio de, pela primeira vez em muito tempo, não precisar correr de nada. Beatriz entrou no quarto pulando, segurando o ursinho e gritando: — Mana! Hoje é sábado! — Eu sei, amor. — Então vamos passear? Laura se espreguiçou, rindo. — Passear pra onde? — Pra qualquer lugar que tenha sorvete. O riso da menina era tão puro que doía de bonito. Laura olhou pra ela e sentiu um nó no peito — aquele tipo de amor que dói só porque é grande demais pra caber. — Tá bom. Sorvete vai ser nosso luxo de sábado. Lucas apareceu logo depois, com o mesmo semblante responsável de sempre. — Eu posso levar o dinheiro da caixa?

