Na terça-feira, o escritório parecia mais barulhento do que nunca. Mas não era o som dos telefones ou das impressoras — era o som dos sussurros. Palavras cortavam o ar como navalhas escondidas. — Eu vi as fotos. — Dizem que ela já foi garota de programa. — E agora é a queridinha do chefe. — Aposto que não dura o mês. Laura caminhava entre as mesas fingindo não ouvir. Mas ouvia. Cada palavra. Cada risada abafada. Cada olhar que a despia sem tocá-la. O caminho até a recepção parecia mais longo. As pernas pesavam, o peito doía, mas ela não parou. Abaixar a cabeça seria confirmar o que eles diziam — e isso, ela jurou, nunca mais faria. Sentou-se, respirou fundo e ligou o computador. Mas as mãos tremiam. O passado agora tinha rosto, voz e audiência. Horas depois, Gabriel apare

