O domingo passou leve, mas o peso voltou com a segunda-feira. Laura acordou antes do sol, o corpo cansado e o coração inquieto. Não era mais o medo de errar no trabalho — era o medo de se acostumar com o que era bom. Porque, na vida dela, tudo o que ficava acabava doendo. Beatriz dormia tranquila, e Lucas já arrumava a mochila. — Tá nervosa, mana? — perguntou ele. — Um pouco. — É por causa do moço bonito? Laura riu. — Não. É por causa do mundo. — O mundo é grande demais pra você ter medo dele. — É por isso mesmo que eu tenho. Ela beijou a testa dos dois e saiu. O vento da manhã era frio, mas o frio maior vinha de dentro. Na empresa, o clima parecia diferente. Olhares longos, cochichos abafados, sorrisos que não eram de verdade. Laura sentiu o ambiente mais pesado do que nun

