A quarta-feira começou como todas as outras — com o peso das vozes e o gosto amargo da resistência. Mas algo no ar dizia que o dia não seria igual. Laura entrou na empresa com os olhos baixos e o corpo tenso, pronta para mais um round contra o mundo. Os murmúrios começaram cedo. — Ela ainda tem coragem de aparecer. — Dizem que o chefe não fala de outra coisa. — Aposto que é só questão de tempo pra ele se cansar. Cada palavra era uma pedra invisível. E, ainda assim, ela caminhava, passo firme, sem devolver o olhar. O silêncio era a única arma que lhe restava — e ela o empunhava como uma espada. Na sala, Gabriel lia relatórios, mas a cabeça estava longe. Desde que tudo começou, ele dormia pouco e pensava demais. Os conselhos da mãe ecoavam, frios e calculados: “Acabe com isso ant

