O silêncio da casa naquela manhã era estranho. Era pesado, não pela ausência de som, mas pela presença de um medo que nenhum dos três — Laura, Lucas e Beatriz — sabia nomear. Os meninos dormiam, exaustos. Gabriel tinha ido trabalhar cedo para resolver questões da empresa. E Laura ficou sozinha na sala, como se estivesse prestes a encarar um fantasma. O diário estava aberto sobre a mesa. Mas ela não escrevia. Ela encarava uma página em branco, como se a página estivesse prestes a julgá-la. Vera apareceu na porta, com dois cafés na mão. — Você não dormiu? — Como é que dorme? — Não dorme. Só sobrevive. — Exato. Vera se sentou ao lado dela. — Lucas tá carregando um peso que não é dele. — Eu sei. — E você também tá carregando algo que nunca deixou ninguém ver. Laura engoliu sec

