A manhã começou com gritos na portaria. Laura acordou com o som das vozes, o barulho de câmeras, o estalar incessante dos flashes. Por um segundo, achou que estivesse sonhando. Mas o som era real. Quando olhou pela janela, o horror estava ali — jornalistas, câmeras, curiosos. E nas mãos de alguns, fotos. Fotos antigas. O coração dela quase parou. Eram imagens de quando ainda trabalhava nas ruas, com o olhar vazio e o corpo usado. Fotos que ela nunca tirou, mas que alguém tirou dela. E agora estavam estampadas em jornais, sites, redes sociais. Gabriel ainda dormia. Ela desceu as escadas devagar, o corpo tremendo, tentando entender o que estava acontecendo. Na mesa da sala, um envelope esperava por ela. Nenhum remetente. Nenhuma explicação. Abriu. Dentro, várias cópias impres

