A madrugada parecia não ter fim. Laura andava pela areia com os pés descalços, o vento batendo no rosto e o sal grudando na pele. Tinha deixado os irmãos dormindo, a casa em silêncio e o coração em pedaços. Precisava respirar, precisava sair. O barulho das ondas era o único som que fazia sentido. O mar estava escuro, imenso, inquieto — igual a ela. A lembrança da noite anterior ainda pulsava: o medo, a fuga, o braço de Gabriel a puxando de volta. Agora, sozinha, o peso voltava com força. O corpo queria descansar, mas a mente não deixava. “Se eu gritar, será que alguém ouve?” A pergunta veio sem voz, só pensamento. Ela olhou o horizonte e deu um passo à frente. A água gelada tocou os pés, subindo devagar. Cada onda parecia um abraço e um golpe ao mesmo tempo. — Por quê? — murm

