O amanhecer parecia diferente. O sol entrava pelas frestas da janela, espalhando uma luz morna pelo quarto. Laura acordou antes de Gabriel. Por alguns minutos, ficou apenas olhando para ele, dormindo tranquilo, o peito subindo e descendo devagar, o rosto sereno. E foi nesse silêncio que o medo voltou. O amor, quando é novo, parece frágil. É como uma flor abrindo no frio — bonita, mas ameaçada. Laura sabia o quanto o mundo podia ser c***l com o que era bonito demais pra durar. Levantou-se devagar, foi até o banheiro e se olhou no espelho. O rosto ainda tinha um brilho diferente, uma mistura de paz e susto. Ela passou os dedos nos lábios, lembrando da noite anterior. E, sem perceber, sorriu. Mas o sorriso durou pouco. As vozes na cabeça voltaram — aquelas antigas, que vinham com

