A Chuva e o Pecado

1532 Words

A noite caiu sem aviso. O céu se fechou de repente, pesado, escuro, como se o mundo tivesse esquecido de acender as luzes. Laura estava no ponto há horas, os pés doendo, o corpo cansado. O vento trazia cheiro de tempestade, e as outras mulheres já começavam a ir embora. Ela ficou. Não por coragem — mas porque não podia se dar ao luxo de parar. O estômago roncava, a cabeça latejava. A chuva começou fina, como um sussurro. Logo virou pancada. A água fria escorria pelos cabelos, colava a roupa ao corpo, mas ela não se mexia. Era como se merecesse cada gota daquela punição. “A chuva lava tudo, menos o que carrego dentro.” A frase surgiu na mente, amarga . Talvez fosse castigo, talvez redenção. Mas ela já não sabia a diferença entre os dois. Um carro parou. O motorista abaixou

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