O amor é fácil de dizer, mas difícil de tocar. Laura sabia disso melhor do que ninguém. Cada toque do passado deixara uma marca, cada olhar a fazia lembrar o que perdeu de si mesma para sobreviver. Por isso, quando Gabriel a abraçava, ela tremia — não de desejo, mas de lembrança. A noite estava calma. As crianças dormiam, e o apartamento era só silêncio. Laura lavava os pratos, distraída, enquanto Gabriel arrumava o sofá. O olhar dele a seguia sem pressa, com uma ternura que a desconcertava. — Você parece longe — disse ele. — Tô pensando. — Em quê? — Em como é estranho ter paz. — Estranho? — Eu me acostumei com o barulho da dor. Agora o silêncio me assusta. Gabriel se aproximou devagar. Encostou-se ao balcão e observou o rosto dela sob a luz amarela da cozinha. — Posso te c

