Os dias seguintes ao evento foram diferentes. Não havia mais escândalo, nem manchetes. O mundo, cansado do drama, já buscava outro nome pra julgar. Mas dentro de Laura, o barulho não cessava. Era como se cada lembrança, cada olhar, cada palavra dita em público ainda ecoasse dentro dela. Gabriel a visitava todos os dias. Trazia flores, comida, sorrisos. Mas ela andava quieta. Falava pouco, evitava os olhos dele. E, quando falava, sua voz parecia vir de outro lugar — de alguém que já estava longe, mesmo estando ali. — Tá tudo bem? — ele perguntou, pela quinta vez em menos de uma hora. — Tá. — Mentira. — É só cansaço, Gabriel. — Não é só isso. Ela suspirou. — Eu só preciso de silêncio. — Eu posso ficar em silêncio contigo. — Não é o mesmo silêncio. Gabriel se calou. Aquela

