O Corpo como Armadura

1382 Words

O espelho rachado do banheiro refletia uma versão de Laura que ela mesma m*l reconhecia. Olheiras profundas, cabelo bagunçado, lábios ressecados. Mas havia algo novo em seus olhos — uma sombra que não existia antes. Era o olhar de quem aprendeu a se defender. Passou o batom vermelho emprestado por Mônica, o mesmo que tinha guardado há dias. Olhou o reflexo e tentou sorrir. O sorriso não veio. O batom não era beleza — era guerra. Era a cor que usava para enganar o mundo e dizer: “Nada me atinge.” Ajeitou a blusa decotada, respirou fundo e repetiu para si mesma, diante do espelho: — Não sou eu. É só o corpo. A voz saiu fraca, mas era o suficiente. Era assim que começava a se proteger — mentindo para o espelho até acreditar. A rua fervia naquela noite. Homens rindo alto, carros

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