A madrugada parecia não ter fim. O barulho da chuva pingando no telhado era o único som dentro da casa. Beatriz dormia enrolada no cobertor velho, Lucas respirava fundo, cansado de um dia inteiro de escola e silêncio. Laura, porém, não conseguia fechar os olhos. Estava sentada no chão, com o caderno no colo. As folhas amareladas, algumas já amassadas, cheiravam a mofo. A caneta m*l tinha tinta. Mesmo assim, ela precisava escrever. Não para lembrar — mas para não enlouquecer. “Diário de vergonha”, murmurou, olhando para a capa gasta. Era assim que chamaria aquele pedaço de papel. Porque o que tinha pra contar não era bonito, nem digno. Era sujo, pesado, e doía só de pensar. Mas dentro dela algo gritava: escreve. E ela obedeceu. “Hoje é a primeira vez que tento colocar em pala

