O dia seguinte amanheceu pesado. Laura dormira m*l. A cabeça latejava, o corpo doía e o coração parecia uma ferida aberta. Cada vez que fechava os olhos, via a foto no envelope, as letras vermelhas, o deboche. Era como se o passado tivesse atravessado a porta do novo mundo para lembrá-la de que ele ainda existia. O espelho refletia olheiras fundas e olhos cansados. Ela respirou fundo e murmurou para o próprio reflexo: — Só mais um dia. Você já sobreviveu a piores. Mas por dentro, ela sabia: sobreviver não era o mesmo que viver. Quando chegou à empresa, o ambiente parecia mais silencioso. As vozes que antes sussurravam agora fingiam neutralidade. O escândalo da foto havia virado o assunto que todos fingiam não saber. Gabriel não estava. Em sua mesa, uma pilha de pastas esperava a

