Dois dias se passaram desde o reencontro na praia. Laura tentava seguir a rotina, mas a cabeça não parava. As palavras de Gabriel ecoavam como uma confissão que ela não sabia digerir. “Eu fui seu primeiro cliente.” Aquilo a perseguia, entre o asco e a confusão, entre o medo e algo que ela não queria nomear. Os irmãos notaram seu silêncio. Beatriz insistia em desenhar corações e dizer que “o moço dos olhos verdes era bonito”. Lucas observava, calado, como se entendesse que havia algo pesado demais no ar. Naquela manhã, Laura saiu cedo para comprar pão. O sol ainda nascia, e o vento frio batia no rosto. Tentava não pensar, mas tudo lembrava ele — o mar, o cheiro de café, o barulho distante das ondas. Ao dobrar a esquina, viu um carro preto parado em frente à padaria. O coração di

