EPISODIO DOIS

1299 Words
Esperava que fosse o seu cartão de visita, com o seu e-mail, as suas redes sociais e o seu telefone. Ou o seu nome. Algo assim. Porém, o que eu tinha em mãos era um cartão preto brilhante e nele apenas estava escrito, em letras douradas, o seguinte: VOCÊ QUER JOGAR? www.taj.com T91P854QN12392H3674K Eu apenas olhei para aquilo com cara de idi*ota. — Jogar? Vai se fo*der! O que eu queria era aquele homem, mas não tinha mais como contactá-lo. Coloquei na bolsa e fui para casa pu*ta. Peguei o cartão novamente enquanto caminhava. Talvez naqueles números e letras houvesse alguma pista, mas não estava com vontade de começar a resolver quebra- cabeças. Que decepção! Quando cheguei em casa, Sofía estava deitada no sofá com o celular nas mãos e um sorriso bobo no rosto. — Olá, Sofia. Cumprimentei, jogando-me na outra ponta do sofá. — Você está conversando com o Saulo? Esse era o nome do seu último rolo. Ou namorado. Com Sofia era difícil saber o nível de seriedade dos seus relacionamentos. Ela manuseou um pouco mais, mas franziu a testa. Cerca de dez segundos depois, ele se dignou a olhar para mim — Saulo é história, baby. Ela respondeu muito séria. De repente, o seu gesto mudou para um de espanto absoluto. Ele havia se apaixonado novamente. Eu aposto qualquer coisa que sim. — Estou falando com Rod. — E suponho que Rod é o amor da sua vida, é claro. — Não precisa ir com tanta pressa! Ela exclamou, levantando as mãos. — É um cliente. surfista. Oh merda ... Você tinha que ver ele. Que ombros, sua pele bronzeada, que olhos grandes... Que bu*nda! Nós começamos a rir com vontade. Sofia era fisioterapeuta. Em mais de uma ocasião, ele ficou com um dos seus pacientes. Ou eles a tinham fisgado. Isso nunca ficou muito claro. Ela era uma garota bonita, então não era de admirar que ela tivesse que se livrar deles. De qualquer forma, aquele ritmo de relacionamento não combinava com a minha forma de ver as coisas. Eu era difícil de entender. — Vamos lá, a bun*da de Rod doeu e ele foi atrás de você para consertar. Eu deixei escapar, ainda rindo. — Você é impossível. As costas dela doem, querida. Eu só curei as costas dele, mas isso não significa que eu não possa admirar o resto. Ela de repente ficou em silêncio e olhou para mim atentamente. — Está tudo bem? Você trouxe o vinho mais caro do que o normal, o que está acontecendo. — Eu não sei... Eu não tinha certeza do que estava acontecendo comigo. — Opa, querida. Sofia se levantou e deixou cair o telefone entre as pernas. — Uma fofoca era mais legal que um papo. Isso é bom. — Ou errado. Eu respondi antes de bufar. — Eu não tenho certeza disso. — Se você não me disser, eu não posso te ajudar. Eu queria contar a ela? Sim. Eu estava morrendo de vontade de contar a ela. Mas, estava procurando as palavras certas para descrever o que havia acontecido. — Eu estava voltando para casa de metrô... Comecei. Sofia ficou em silêncio, com os olhos arregalados. Ela estava esperando que eu continuasse, é claro. — Um homem muito bonito entrou. Adequado, essa era a palavra. Com uma maleta e cheirava muito bem. Eu achei que era cheiro de grama recem cortada. Não me culpem. Para mim, é o melhor cheiro que existe. Agora era a vez de contar o que aconteceu de estranho. — O carro foi enchendo e ele foi se aproximando de mim até ficarmos grudados. Não me pergunte por que, mas eu fiquei muito boba, cara. — Você não alimenta a sua coelha há meses... — Sophia! Eu gritei chocada com a sua maneira de falar. Ela era a pessoa menos sútil do planeta. — Desculpe, mas é verdade. Ela respondeu, mostrando as palmas das mãos. — Esse corpo sabe o que quer e você queria aquele cara. Decidi parar de tentar torná-la mais diplomático e continuei com a minha história. — A questão é que eu estava encostado na porta que não abre. Expliquei sem olhar para ela. — Ele acabou totalmente colado com o meu corpo e eu fiquei ainda mais louca. — Ele estava duro? Sofia interrompeu. Revirei os olhos, mas não pude deixar de sorrir. — Eu acho que sim. Eu respondi com uma voz pequena. — E eu fiquei muito animada. Com o balanço da aceleração e da frenagem, esfregamos mais. Olhei nos seus olhos e ele estava olhando para mim como se quisesse me comer. e eu comecei a me esfregar de propósito — Eita porr*a! Ela exclamou, batendo palmas. — Essa é a minha garota! — Mas o metrô chegou na minha parada e eu desci. Olhei para Sophia com cara de desapontamento — Não me diga que você não pediu o telefone dele, tia! Ela suspirou, balançando a cabeça. — Não, mas ele me deu o cartão dele. Acrescentei, entregando para ela. — Apenas quando Eu ia descer, ele agarrou o meu braço e me deu isso. — Que p***a é essa? Ela perguntou, olhando para o pedaço de papelão como se fosse um quebra-cabeça. — Nem celular, nem Insta, nem nada. — Exatamente. Eu concordei. — Apenas um endereço da web e um monte de números e letras. — Você deveria entrar. Sophia disse. — Se através disso você conseguir tra*nsar com aquele homem, você deveria entrar. — Eu não gosto dessas coisas. Eu neguei tristemente. — Você sabe. — Você vai ficar com teias de aranha, Ruth. Ela argumentou. — Você acha que o seu ex não está por ai, transando com todas? Você é jovem, você é linda e você tem um grande corpo. Você só precisa começar a se vestir um pouco mais sexy, sair e conhecer pessoas. Conheça homens. E t*****r com eles, é claro. — Estou te dizendo que não sou assim... — Eu não me importo como você é. Sofia explodiu. — Você não está morta, por*ra! Você tem que experimentar os pratos do cardápio. Se você não gosta de um, não repita. Se gostar, coma de novo. Você não saberá o que quer ou como é até que se dê a oportunidade. Agora, você está agindo nada além da ex do Jonas. Você quer permanecer assim por toda a sua vida? Claro que eu não queria. Nas noites ruins, eu imaginava que era a namorada do Jonas. No resto do tempo, eu conseguia não pensar nele. O que ficou claro para mim é que não queria ficar parecendo uma freira, mas não estava pronta para começar com esse tipo de coisa. — Não. Respondi confiante. — Eu não quero continuar sendo isso, mas também não vou me jogar no se*xo culpado. Ainda não. — Claro. Sofia concedeu ironicamente. — Na semana que vem. Como dietas. Como ir ao ginásio. Como visitar os seus pais. Todos nós fazemos isso. Marcamos para a próxima semana, mas essa semana nunca chega. Ou você acorda ou vai ter cinquenta anos e terá crescido um novo hímen na sua boc*eta, mas sem cirurgia. Eu ri. Eu ri muito, mas continuei pensando no que Sofia estava dizendo. Eu vinha adiando sair e conhecer pessoas há muito tempo. Eu sempre dizia que eu não estava pronta, que a ferida era muito recente. Sofia sempre dizia que aquela ferida seria curada se eu t*****r com alguns caras. Daqui algum tempo, até pode ser. — Por enquanto, vou tomar um banho e comer alguma coisa. Eu resolvi, arrancando o cartão das suas mãos e colocando de volta na minha bolsa. Eu guardei para o caso de precisar. — Se você não quer, passe para mim. Sofia gritou enquanto eu caminhava pelo corredor.
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