⟶ Quarta – 15 de Janeiro de 2020
A celebração de aniversário na Tailândia começava ao menos uma semana antes do dia, o aniversariante comemorava com os amigos e no dia do seu aniversário, geralmente passava com a família, ou apenas descansando.
Mas Pon preferiu comemorar seu aniversário com amigos, tendo comemorado com sua família um dia antes.
O grupo havia preparado um bolo para o rapaz e chegaram à casa cantando parabéns e sua namorada segurando o bolo. Quando a canção foi finalizada, ele agradeceu em tailandês e em inglês, fazendo a clássica referência juntando as mãos e curvando a cabeça.
- Toma, Bua, acenda a vela para dar sorte. – Diz Sina entregando um isqueiro para Bua.
- Crianças não podem brincar com fogo, Sina. – Brinca Heyoon e Bua mostra a língua para ela. Ela demorou um pouco, mas conseguiu acender a vela e Pon a soprou recebendo palmas e comemorações dos amigos.
. . .
Na cozinha da enorme casa do tailandês, o grupo comia do bolo, o qual, obviamente, o primeiro pedaço havia sido para Bua, e faziam piadas e brincadeiras.
- Agora que tem 17 é melhor terminar com a Bua. – Diz Diarra bem humorada
- O quê? Por quê? – Ele pergunta.
- A Bua só tem 15, é uma criança. – Bua apenas rola os olhos, já acostumada com essa brincadeira.
- O namoro de vocês é errado. – Diz Savannah e o casal franziu a testa. – Vocês começaram a namorar ainda eram crianças, se formos fazer as contas, a Bua e você começaram a namorar aos treze.
- Não mesmo. – Diz Bua. – Eu tinha acabado de me mudar para o Estados Unidos quando nos conhecemos e eu tinha doze anos, começamos a namorar um pouco depois que fiz quatorze, primeiro escondido do meu pai, mas depois mamãe conversou com ele e ele permitiu nosso namoro.
- Viu? Escondeu o namoro dos pais.
- Vai me dizer que você conta tudo para os tios, Savannah? – Pergunta Josh e Savannah se calou. – Foi o que eu pensei. – Eles continuaram conversando e rindo das piadas que Joalin fazia apenas para provocar Savannah e assim foram aos poucos para casa, até que chegou a vez de Joalin ir para sua, sozinha, já que Josh dormiria na casa da Any.
- Joalin... – Bua aparece apressada na frente da casa do Pon, estava com vergonha.
- O que foi? Quer carona?
- Não, é que... – Ela desvia o olhar. – Eu disse para o meu pai que dormiria na sua casa. – Joalin sorriu.
- Você quer que eu encubra você? – Bua assentiu devagar. Joalin sorriu sugestiva. – Que fofinho, a Bua mentindo para ficar com o namorado. – Bua encara Joalin, a repreendendo com o olhar. – Ok, se o tio ligar, pode deixar que você está lá em casa. – Piscou e Bua sorriu.
- Obrigada...
Bua observou Joalin entrar no carro e sair de lá e voltou para dentro da casa. A família de seu namorado a adorava, e ela se sentia bem recebida ali, principalmente pelas falas e costumes serem as mesmas dela, ou seja, na casa de seu namorado, ela falava completamente em tailandês.
Subiu as escadas em direção ao andar de cima e entrou no quarto de Pon, o mesmo estava no banheiro de seu quarto tomando banho. Bua estava nervosa e sentia seu coração acelerar. Quando Pon saiu do banho, com apenas uma toalha na cintura e uma outra enxugando os cabelos, franziu a testa.
- Está tudo bem? – Bua não respondeu, apenas foi até ele e segurou seu pescoço, encarando todo o seu rosto e pousando o olhar na sua boca, ficou na ponta dos pés devido a diferença de altura e selou seus lábios. Pon jogou a toalha menor no chão e a abraçou, aprofundando o beijo, tocando suas línguas. Bua se afastou.
- Estou pronta. – Ela diz suavemente.
- Tem certeza? – Assentiu e o beijou novamente. Pon a pegou nos braços e a deitou na cama, beijou levemente sua testa, nariz e por fim sua boca, distribuindo vários selinhos, sendo extremamente carinhoso e cuidadoso com ela.
⟶ Quinta – 16 de Janeiro de 2020
No dia seguinte, levantaram cedo para irem para a escola, Bua ficou com medo que os seus sogros e seu cunhado tivessem ouvido algo ou notado que ela não dormiu no quarto de hóspedes, mas se eles notaram, não falaram nada, por isso que Bua duvidava que eles tivessem percebido. Como os costumes eram os mesmos, eles provavelmente não admitiriam algo daquele tipo na casa deles.
- E se sua mãe ver o sangue? – Ela aponta para a pequena mancha de sangue no lençol branco.
- Minha mãe nunca pega os lençóis para lavar. – Diz ele retirando o lençol. – E eu não acho que as empregadas se preocupem com isso. – Ela assentiu nervosa e respirou fundo. Pon percebeu seu nervosismo e a encarou com o cenho franzido enquanto enrolava o lençol. – Bua... – Ela o encara. – É uma mancha pequena, irei colocar no cesto de roupas sujas e as empregadas pegarão sem nem desenrolá-los para checar. – Ela assentiu e sorriu fraco, tentando ficar calma e não demonstrar nervosismo durante o café da manhã.
Após o café, seguiram para a moto de Pon e ele a ajudou a pôr o capacete, percebeu que Bua evitava contato visual com ele desde quando despertaram para a escola. Ele sorriu a encarando e ela sorriu fraco, novamente não alongando o contato.
- O que aconteceu? – Ela n**a. – Bua... – Ela respira fundo. – Você está com vergonha?
- Talvez. – Ele segura o rosto da namorada e deposita um selinho fraco em seus lábios. – Você é a coisa mais perfeita e fofa do mundo. – Diz fazendo-a ficar vermelha.
. . .
O grupo estava à mil, o dia do início do campeonato se aproximava e deixava as garotas nervosas. Com o dia do jogo se aproximando, àquela semana, as garotas do time treinavam durante a segunda aula.
Estavam no vestiário quando Joalin sentou-se ao lado de Bua sorrindo, a garota franziu a testa.
- Conte-me tudo e não esconda-me nada.
- Contar o quê? – Pergunta Diarra se aproximando e assim, atraindo a atenção do grupo de amigas. Bua respirou fundo, sempre observou suas amigas compartilharem tudo, e com ela não deveria ser diferente.
- Bua... – Ela fala em terceira pessoa, Joalin percebe o que ela queria fazer.
- Nem vem falar em tailandês. – Ela interrompe e Bua respira fundo. – Estamos entre amigas, aqui, Bua. – Ela novamente encarou suas amigas que estavam esperando por sua fala.
- Ontem... Eu e o Pon... – As amigas perceberam que estava sendo quase uma tortura para a menor contar o que fez, e por isso logo entenderam o que havia acontecido.
- Finalmente. – Diz Sina. – Mas ele te forçou à algo? – Ela negou.
- Não... Eu disse que eu estava pronta e nós fizemos. – Explicou e Joalin abraçou a amiga sorrindo.
- O neném não é neném. – Diz ela apertando as bochechas da amiga.
- Belo presente de aniversário o Pon ganhou... – Any diz maliciosa.
- E como foi? – Pergunta Sofya.
- Você quer detalhes? – Pergunta Sina.
- Não, só quero saber se foi bom, se foi ruim... Se ela sentiu dor.
- Bua, você não precisa responder se não quiser. – Diarra entra em defesa da amiga.
- Eu queria detalhes, mas fazer o quê? – Diz Joalin e em seguida recebe o tapa de Diarra.
- Está tudo bem... – Diz ela. – Conversar sobre isso ainda me deixa tímida.
- Mas é algo completamente normal. – Diz Any. – É normal entre os casais e é normal falar sobre isso, faz parte da vida.
- E então... – Começa Sofya. – Foi bom? – Bua assentiu timidamente e sorrindo fraco, encolhendo os ombros como se quisesse se esconder, fazendo as amigas rirem.
- É grande? – Pergunta Any.
- O quê? – Ela pergunta sem entender.
- Nada. – Diarra novamente entrou em defesa encarando Any que apenas riu.
- Você sentiu dor? – Pergunta Sina.
- No começo sim, mas depois aliviou. – Respondeu. – E sangrou um pouco.
- E se a mãe dele ver o sangue? – Bua engoliu em seco e encara Sofya.
- Ele disse que não há chances disso acontecer. – Responde.
- Ótimo, agora se preparem por que seu namoro pode mudar. – Diz Savannah e todas a encaram. – Não me olhem assim, o Pon conseguiu o que queria, agora a relação muda.
- Para de falar essas coisas, Savannah. – Começa Joalin. – O Pon não é babaca como o Bailey. – Savannah bufou. Bailey e Savannah namoraram por um tempo, ninguém no grupo tocava no assunto, já que sabiam o quanto aquilo machucava à garota, mas Bailey aparentemente não estava interessado na Savannah e sim no que ela tinha a lhe oferecer, quando ela finalmente cedeu, ele terminou com ela, a magoando profundamente.
- O que ela quer dizer com isso? – Pergunta Bua preocupada.
- Viu o que você fez? – Diarra fala brava.
- Nada, Bua, é que alguns rapazes só ficam com garotas virgens para poder serem os primeiros, para eles é como um prêmio. – Diz Any com a voz melodiosa.
- Mas o Pon já namora com você há quase dois anos e ele esperou o seu momento, ele jamais iria fazer isso. – Consola Diarra.
- A relação muda mesmo? – Pergunta diretamente para Any que era a única ali que tinha um namorado. Any assentiu e pensou o que falaria a seguir cautelosamente.
- Mas isso não é algo r**m. – Diz ela. – A relação deu um passo adiante, está crescendo e significa que agora vocês são íntimos o suficiente para algo assim e que confiam um no outro. – Bua suspirou e assentiu. – Não se preocupe está bem?
- É, aquele cara te ama demais e acho que nada seria capaz de separar vocês. – Diz Sina. Bua sorriu fraco e agradeceu ao conselho das amigas. Já Savannah ainda estava receosa com aquilo, ela não queria que Bua sofresse como ela sofreu e, graças aos traumas com o Bailey, ela não confiava em homem nenhum.
⟶ Sábado – 18 de Janeiro de 2020
Sabina tocou o interfone e logo uma Joalin com o uniforme do time de handball e r**o de cavalo apareceu saltitante e sorridente, a abraçando assim que o portão se abriu.
- Achei que não viria. – Diz Joalin ainda abraçada à ela.
- Eu avisei que viria ontem. – Diz Sabina se afastando do abraço e entrando logo em seguida.
- Mas poderia ter acontecido algo durante esse intervalo de tempo. – Responde Joalin fechando o portão.
- Estou atrasada? – A loira negou.
- Não muito. - As duas se direcionam para a garagem onde um Josh emburrado entrou logo em seguida.
- Eu tenho mesmo que ir? – Ele reclama. – Eu posso ver as filmagens depois.
- Você se lembra que a sua namorada é do time, certo? – Josh faz uma careta e resmunga entrando no carro. – E é sua vez de dirigir, eu estou nervosa demais para isso. – Ele bufa rolando os olhos e passa para o assento do volante.
O caminho até a quadra de esportes onde ocorreria o jogo foi repleto de brincadeiras e piadas, Sabina se sentindo mais leve na presença dos irmãos e animada com a Joalin para o jogo. Mas seu sorriso de ânimo se tornou uma carranca quando Joalin atendeu o telefone.
- Oi, Bua, meu neném que não é mais neném. – Houve uma pausa. – Já está todo mundo aí? Beleza estou chegando. Ok beijo. – E assim desligou. – Pisa nesse acelerador, Josh, todo mundo já chegou.
. . .
O resto do caminho, Sabina permaneceu emburrada, mas logo eles chegaram ao ginásio, estacionando e seguindo para a entrada. Bua estava na porta, também de uniforme.
- Oi, pitica. – Diz Josh a abraçando de lado. – Nervosa?
- Um pouco... – Ela responde. – A Any já está lá dentro. – Josh então entrou para procurar a namorada.
- O que faz aqui fora? – Pergunta Joalin.
- Esperando o Pon, ele foi estacionar a moto e ... – Bua não terminou.
- Já voltei. – Diz ele puxando Bua pela cintura e lhe dando um beijo na bochecha e se curvando para depositar um selinho rápido nos lábios da menor. Sabina franziu a testa. Então ela tinha um namorado? Entre ela e a Joalin era apenas amizade mesmo? Sabina se sentia burra naquele momento e até certo ponto, culpada, por julgar a garota daquela maneira.
- Pronto para torcer por sua namoradinha, Pon? Ou quando vocês tailandeses transam já são considerados marido e mulher?
- Joalin. – Bua a repreende envergonhada e com as bochechas ficando vermelhas e Joalin apenas ri. – Ah, Pon... Essa é a Sabina. – Pon olhou para Sabina e sorriu de lado, em seguida encara Joalin.
- Então você é a famosa, Sabina? Joalin fala muito sobre você, especialmente... – Ele não terminou, já que Bua o beliscou na cintura o fazendo gemer de dor e se calar.
- Vamos entrar? Temos que nos preparar para o jogo.
E com essa fala da Bua, os quatro entraram no estádio. Bua e Joalin seguiram para próximo à Yonta que repassava as táticas e Sabina e Pon se sentaram na arquibancada e esperaram por Josh.
- Quanto tempo vocês namoram? – Sabina pergunta curiosa.
- Um ano e alguns meses. – Ele responde e Sabina assentiu. Se sentia envergonhada ao perceber que seu ciúmes não tinha nenhuma razão. – Ela é incrível... – Pon começa. – Exatamente meu tipo ideal e ... – Sabina o encara, o vendo sorrir com os olhos brilhando. – Tudo que eu amo eu encontro nela. – A mexicana sorriu com a forma que ele falou e achou aquela frase a coisa mais bonita que já ouviu alguém dizer.
- Isso é tão bonito e doce. – Diz ela. – Sinto vontade de chorar ao saber que ninguém vai me amar assim.
- Você também é bonita e doce e a Joalin vive falando várias qualidades suas. – Sabina encara Pon com o cenho franzido, ele havia a elogiado daquela maneira logo após de dar aquela declaração sobre a namorada? – É por isso que ela está apaixonada por você. – Aquela frase atingiu Sabina em cheio e ela paralisou, não conseguiu falar ou perguntar de onde ele havia tirado aquela frase absurda. – Ela fala coisas incríveis sobre você há muito tempo. – Sabina não soube o que falar ou como agir.
- Querem pipoca? – Pergunta Josh se aproximando, os dois o encaram, Josh percebeu que Sabina estava nervosa e aparentemente confusa. – O que rolou?