03 – Ferrada ou morta...

773 Words
Julia Era uma situação muito difícil cuidar de dois pacientes, recém operados, com infecção, sem poder usar a estrutura de um hospital. Ainda por cima, com a pressão de ser a sogra e o filho de um traficante perigoso. Minha mãe estava com joelhos no chão rezando o tempo todo, porque sabia que se acontecesse algo de errado com eles eu estava muito ferrada ou melhor, morta. Aluguei alguns equipamentos para dar suporte aos dois pacientes em casa, pelo menos dinheiro, não faltava, que ele era um bandido com grana e o dono do morro parece que dava suporte. Ana tem um rolo com o Guga que trabalha com o PH e aceitou fazer parte da equipe para ajudar e eu também chamei a maluca da Rái, que é técnica de enfermagem, que topou na hora, por dinheiro. Nas primeiras 48 horas, eu não sai da casa deles e até cuidar de três vapor, que levaram tiro e não puderam ir para o postinho. Nem se eu quisesse eu podia negar, porque PH estava com uma arma na mão, vendo eu trabalhar, me encarando. Eu e Rái estavamos juntas nesse dia e ela dizia o tempo todo: — Amiga, eu estou é com o ** na mão que num passa nem wifi. Se der merda, nós três, tamo fudida. Eu só fazia rir, mas sabia que errada ela não estava. Duas semanas depois eu já estava mais aliviada, porque eles estavam fora de perigo. Fiz minha última avaliação deles e disse que ia monitorar apenas de dois em dois dias e que eles poderiam me chamar se fosse necessário. — Eu não sei como posso te pagar, porque agradecer é pouco, Júlia. — Renata falava emocionada. — O que você fez, pela minha mãe e principalmente pelo meu filho Júlia, não tem preço. Se não fosse seu jeitinho teimoso e bondoso, meu filho podia estar morto uma hora dessa. — Não precisa agradecer, graças a Deus que deu tudo certo. — Doutora Júlia, é o que minha mina falou, o que você fez pelo meu filho foi demais, valeu demais. Fico te devendo um fechamento e essa mala aqui é pra pagar o hospital e essa outra aqui é pra só pra tu. Ele me entrega duas malas cheias de notas de 100,00 que pelo que vi tinha mais de 100.000,00 em cada mala. — Olha PH, as coisas não são assim, eu estou com a conta do hospital e tudo que foi gasto, eu pego e levo pra lá e você me dá o valor correto. E não precisa me dar nada, não fiz por dinheiro. — Nada disso rapa... Você trabalhou e tem de ganhar. Qual é? Não pega dinheiro de bandido não é? — Não é isso PH, de jeito nenhum. É que não vou cobrar de D. Sônia, que é como uma tia pra mim. — Sou eu que tô pagando e faço questão pow… Tu estudou pra burro, veio aqui, me enfrentou, foi firmeza mina, ganhou meu respeito, tá ligada? Descobriu que meu bacuri tava doente mesmo, cuidou dele e ainda cuidou da minha sogra, que é uma mãe pra mim, sacou. Faço questão, não quero desfeita não, pow. — Aceite minha filha, eu faço questão também, você é muito esforçada, merece. — D. Sônia fala, carinhosa e eu não consigo negar. — Eu vou aceitar, mas não precisa ser uma mala, só pra mim, o que vai sobrar daqui é suficiente. — Mina, num testa minha paciência não, leva essas malas ai, que comigo não tem mais lero não, véi. — Vai Júlia, eu sei que você gosta de estudar, e tem um sonho de fazer um curso fora, vai viajar, você merece demais. Parei de discutir, porque sabia que não ia adiantar, e quando ia saindo com duas malas de dinheiro na mão, que dava uns de 250.000,00, ele me para na porta e eu fico paralisada. — Mina, quero que tu fique ligada que você tá na minha proteção, tá no meu controle? Tudo que tu precisar, qualquer parada fala comigo e quem mexer contigo, mexe comigo também. — Obrigada PH. — Agradeci e me despedi de todos e fui logo acertar as contas do hospital e do meu amigo e eles amaram porque não teve registro e o dinheiro sai livre, livre... Sem imposto nenhum. Chego em casa com uma mala cheia de dinheiro e minha mãe fica passada e eu coloco no cofre e fico pensando na ideia de viajar pra estudar, pois sempre tive esse desejo. E por que não realizar agora? Eu já juntava dinheiro a um tempo pra isso... ***
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