Eu relutei em entregar meu celular para ele. Mas, mesmo contra a minha vontade, eu coloquei o celular em sua mão.
- Vamos! Eu vou te mostrar onde será o seu quarto. - Então eu voltei a seguí-lo como um cão de guarda fiel, ele abriu a porta do quarto e era elegante e muito grande... Bem maior do que o meu próprio quarto.
- *f**a! Curti demais! - Respondi entrando no quarto olhando tudo e abrindo as gavetas curioso na esperança de achar minha arma.
Mas não havia nada de interessante além das roupas do meu estilo. Eu peguei uma blusa e abri a medindo em mim e percebi que era exatamente do meu tamanho.
- Você nasceu neste quarto. - Paralisei soltando a blusa e encarei meu avô.
- É zueira?! - Perguntei desacreditado.
- Eu não sou de zueira. - Meu avô respondeu sério.
- É verdade que foi você que fez o parto da minha mãe?!
- Sim. - Meu avô respondeu ainda sério e colocando as mãos no bolso novamente.
- Que f**a*!!! Cara a minha história é linda! *p**a que pariu! - Eu comemorava e meu avô deixou vazar um pequeno sorriso.
Ele saiu do quarto e eu sentei naquela cama macia com um lençol de seda.
Eu fiquei olhando todo o quarto procurando alguma coisa interessante.
Mas fui interrompido com Jhonny batendo na porta.
Eu me levantei e encarei ele sério.
- Espero que você se sinta á vontade...
- Obrigado. - Respondi ríspido ainda sentindo raiva da falta de sinceridade dele.
- Eu não podia falar nada. Era o meu trabalho e espero que entenda. - Jhonny respondeu baixo e iria sair mas eu o chamei fazendo ele voltar.
- A amizade também era mentira? - Perguntei angustiado, afinal eu o considerava como o meu melhor amigo e conselheiro.
- Eu não sou nenhum robô Gabriel... Eu preciso evitar sentimentos, mas não significa que eu não tenha. Você é um bom amigo.
- Foi m*l pelo soco! Eu estava bêbado e muito irritado. - Eu me redimi constrangido.
- Como eu disse... Você precisa aprender a socar na mandíbula para apagar o adversário, na buchecha não vai causar nenhum dano. - Jhonny respondeu calmo como se eu tivesse feito um carinho no rosto dele.
- Combinado! Na próxima eu acerto sua mandíbula. - Eu falei e Jhonny riu.
- Vamos... Venha conhecer a fazenda. - Ele me chamou com a cabeça e eu o segui empolgado.
Saímos do quarto e eu conheci cada cômodo daquele casarão. A fazenda era cheia de capatazes armados disfarçados de fazendeiros. Eu percebi que eles paravam de fazer seus serviços e me encaravam. Eram olhares demais para mim!
- Jhonny! - Sussurrei andando ao lado dele.
- Fala. - Ele me olhou seguindo para o pasto.
- Eles estão com raiva de mim? - Perguntei preocupado e ouvi Jhonny gargalhar. Era raro ver Jhonny rir daquele jeito.
- Gabriel... Dentro desta fazenda você é o famoso neto do chefe que nasceu em meio ao sangue e a morte. Eles eram loucos para saber quem era o moleque que nasceu pelas mãos do mafioso Maurício.
- Vou cobrar para dar autógrafo... - Respondi orgulhoso olhando os homens e dando um tchauzinho.
- Isso não vai rolar. Eles são profissionais, eles podem estar loucos para te conhecer mas não podem ultrapassar os limites.
- Que pena... - Eu me calei quando vi uma caminhonete entrar em alta velocidade e parar ao lado da casa. Eu olhei curioso e vi um rapaz com uma roupa social carregar uma garota no colo, ela usava um vestido branco e estava sujo de sangue. Seus cabelos compridos e longos como um véu, loiros quase brancos chamavam atenção... Ela aparentava ter minha idade pelo corpo de mulher, e o rosto juvenil e doce mesmo de olhos fechados.
- Johnny! - Eu o chamei nervoso e preocupado.
- Eles vão tentar salvá-la... Ela está ferida como um pássaro coitada. - Eu olhei Jhonny espantado ao ver aquela moça naquele estado. Ele não demonstrava preocupação, no máximo um pouco de pena como se fosse um animalzinho atropelado.
Eu voltei a olhar ela sendo carregada ás pressas para uma outra casa ao lado da principal.
- O que aconteceu com ela?! - Perguntei preocupado .
- Foi sequestrada... A máfia é complicada. Você precisa aprender a não usar muito dos seus sentimentos, afinal você pode perder alguém próximo a qualquer momento.
- Ela precisa de um hospital! - Respondi angustiado.
- Aquela casa é um disfarce, Gabriel... Dentro é uma sala de cirurgia improvisada, já salvamos muitas vidas alí assim como também perdemos... Inclusive salvaram seu pai naquela casa.
- Espero que ela fique bem. - Respondi sentindo meu peito apertar e voltei a olhar para a casa onde a garota estava.
Passamos o dia conhecendo o restante da fazenda, mas eu não conseguia tirar aquela garota loira dos cabelos cumpridos da minha cabeça.