Capítulo 01

1950 Words
Lola AINDA era sol quando minha mãe saiu tão elegante. Me sentia sozinha, mas já estava acostumada, nunca de verdade estou tranquila quando ela está presente, como se algo estivesse errado. Eu não sabia tanto sobre as cidades, quer dizer, o que ela me contara parecia ser suficiente e ela passava mais tempo por lá. Um lugar com muitas pessoas, automóveis, milhares de casas, lojas e meios divertidos para se comunicar, a vida mais boa e fácil, era o que dizia e eu imaginava. Nada obstante um lugar perigoso, que ela esperou até que eu tivesse maturidade suficiente para conhecer. E agora mais que nunca eu tenho. Minha curiosidade imaginava o quão perigoso tudo poderia ser, porém não tenho muita noção da vida por lá, acreditando que talvez aconteça acidentes com frequência ou brigas, porque ela sempre perdia a cabeça. Resolvi obedecê-la mesmo cansada, poli o chão duas vezes seguidas, lavei tudo e guardei as coisas no devido lugar, tirei o pó e cozinhei os poucos legumes que sobraram, por último separei as roupas sujas para lavar no dia seguinte. E se mamãe demorar muito para voltar como penso, farei tudo arduamente por dia. Para deixar a tarde menos intediante cantei músicas cuja inventei, depois pego alguns dos livros que tenho e leio sentada ao sofá, eram sempre os mesmos livros de história, geografia e ciência aprendia muitas cosias com ele. E alguns com ilustrações infantis de animais. Em todos os meus aniversários pedia para ela trazer um livro ou cadernos para desenhar, mas apenas três vezes mamãe se lembrou. Quando a noite chegava eu não ficava apavorada, acendia as velas e ia para meu quarto, mas dessa vez eu ousei em ascender a lareira, não estava tão frio, mas minha mente em alerta não me permitiria dormir cedo então para evitar tremedeiras na madrugada resolvi desobedece-lá uma única vez. Eu apagaria tudo logo para economizar, no entanto fiquei ali sentada no tapete abraçando os joelhos, escutando o creptar do fogo com a iluminação da luz bruxelante alaranjada, aquecida em conjunto do meu cabelo. Minha mãe sempre dizia que falaria com amigos na cidade, então passei à pensar em como seria conhecer pessoas da minha idade ou fazer qualquer coisa além das fronteiras desta floresta. Sorri ao recordar que uma vez pensei em fugir, quando eu era mais nova ela me deixava trancada e eu sempre pensava que quando ela não deixasse mais eu correria para bem longe sem rumo, porém seus alertas eram claros e fazia-me temer. “Você só tem a mim, acha que se sair daqui sozinha e vai sobreviver? Bobinha Você precisa de mim para viver minha flor, sem essa casa e a mim você morre em um dia. Tudo que eu faço é para o seu bem...” Ela é minha mãe, e o medo me bateu em pensar que eu poderia ter morrido se tentasse ir embora, ela não era má, no entanto eu sentia sentimentos controversos quando ela agia rude e com frieza ou até quando falava sobre assuntos estranhos sobre homens: “Sei que você vai se apaixonar quando vir um, hahaha mas cuidado eles são perigosos, porém é so fazer o que eles pedem e sempre esteja linda pra eles, se vista assim usando decotes os deixam loucos, e olhe eles nos olhos eles adoram contato visual, você precisa saber muitas coisas, se preparar. ” Sooava ameaçador em um tom estranho, não fazia tanta razão pra mim, eu nunca vi um homem, acredito que apenas em sonhos e não tinha tanta curiosidade a respeito. Só que não deixava de matutar todas as coisas que me dizia, eu sabia que não tinha vontade alguma de 'seduzir' e sempre tive medo do que eu não podia ver, do desconhecido. Um ratinho cinza parou perto da lareira pegando as migalhas da minha comida, mas não me deu medo e nem vontade de comê-lo. — Nunquinha que vou comer você ou qualquer coisa que se mexa, nem se eu morrer de fome, companheiro. Assim como estar sozinha, os ratos eram como os amigos que nunca tive. Depois que lavei as mãos, fiquei mais um pouco na frente da lareira, neste meio tempo acabei pegando no sono sem nem perceber e sonhei com o que parecia ser um homem.  Pássaros sempre me acordam bem cedo, me espreguiçei dolorida, mas não por causa do meu colchão e ao notar que havia dormido no tapete dou um pulo alto e grito ao ver que queimei toda a lenha! — Ah não, não, não!!! Minha mãe vai me matar, eu tenho que conseguir lenha e espero que não chova! Oh não. *** Lavei meu rosto e escovei os dentes na pia, penteei todo meu cabelo no espelho quebrado que minha mãe me deixou. Estou com o coração batendo forte, eu não sou boa em conseguir lenha, apenas alguns gravetos o que demora muito tempo e não posso ficar fora de casa quando anoitecer, ou seja, se minha mãe chegar rápido ela vai me dar aquela surra! Tudo bem Lola, você não vai morrer de frio e nem ser morta por Olga. Digo a mim mesma duvidando. Minha mãe se extressa em dois palitos, e ainda tenho a cicatriz no meu braço da vez que me bateu com um pedaço de madeira. *** Depois de comer o último pedaço de pão que tinha e tomar suco de maçã, peguei as roupas sujas. O sol brilhava acolhedor em um dia bem quente, levei comigo a toalha e o vestido branco — um dos únicos três que tenho — para tomar um banho no lago. A natureza é um bom lugar para se morar, eu vivo tranquila apesar dos constantes problemas, mesmo querendo conhecer a cidade e talvez viver lá eu sentiria falta de algumas coisas como a imensa mata, as árvores amigas, os pássaros e o lago. O lago na companhia do sol e o brilho do céu azul. Cheguei perto do pie onde deixei o balde com o sabão. Desatei as alças do meu vestido e estava indo nua para o lago, quando arregalo os olhos e corro assustada até as minhas roupas ao avistar um homem. Aquele era um homem?! Me tremia como um ratinho com frio, me vestindo com pressa, tentando esconder meu corpo, colocando o vestido desajeitada. Um homem? Meu Deus? Quem é ele? Quem é ele? O que está acontecendo??? Sai do pie e caminhei em frente, indo até a árvore próxima ao grande lago aberto, onde um gigante! Sim um gigantesco homem estava deitado perto a uma árvore. O que está fazendo Lola!! Volte pra casa! E se ele se mexer, e se ele, e se ele não for bom... Um milhão de perguntas explodiam na minha cabeça ao mesmo tempo. Minha curiosidade fazia meu coração bater na mesma frequência do medo, eu quase corri de volta para casa, me trancaria e não sairia mais dali, só abriria a porta para mamãe, entanto eu queria saber como eles eram e me aproximei o suficiente da árvore que estava e vi que tinha sangue em suas mãos e no peito. — E-esstá morto? — sussurrei. Quando pensei ver algum reflexo de movimento pulei e me escondi atrás da árvore que observava ele. Eles são tão grandes assim? Eles são tão grandes. Respirei e inspirei com fervor, os minutos passavam e nada acontecia o medo não diminuia também. Com toda a coragem que os trovões e tempestades me trouxeram durante todos esses anos eu finalmente resolvi deixar a árvore e ir até mais perto dele. Contornei seu corpo, seu imenso corpo olhando com precisão os desenhos no seu peito, no torax, nas mãos... Muitos desenhos curiosos feitos com delicadeza. Vi o que se parecia um corvo e uma caveira no seu tórax, cachorros no seu pescoço, não conseguia tirar os olhos do seus músculos grandes e da barba carregada no seu queixo, seus cabelos eram loiros quase grisalhos, desgastados como se fosse bem mais velho. — Deve estar machucado, o que eu faço? Conclui pelo seu tamanho e força que seria incapaz de arrastá-lo para casa, ou fazer qualquer coisa para ajudar e o meu medo do homem a frente não me deixava tocá-lo para examinar por mais que senti uma necessidade extrema. Algo no humano grande, viril e masculino me deixava deslumbrada, tão diferente de mim, tão bonito... Eu queria ver mais, queria ficar bisbilhotando-o. Engoli em seco admirando a imagem do seu rosto que causou um formigamento em mim, e as palavras de mamãe voltaram a reverberar na minha cabeça. “Homens são lindos, você irá gostar.” O sinal de perigo gritava, mas ousei abrir a boca: — Moço, acorde, você está morto? Como não me respondeu eu decidi abandoná-lo de tanto que tremi, contra minha própria vontade e escutando o alarme da razão eu fui pra longe, não sei o que minha mãe faria ao me ver perto dele. *** Lavei as roupas no lado mais distante do lago, tomei banho com muito medo e quando estava prestes a anoitecer peguei alguns gravetos lamentado o pouco de lenha que tinha, eu certamente não dormiria aquecida tão bem hoje e pior de tudo, dormiria amedrontada. O sol estava baixo, descendo pelo horizonte e eu olhava pra janela com a imagem fixado do homem. Ele ainda deve estar lá, precisando de ajuda, ele não parecia morto, mas tinha muita sangue... eu deveria ter tentado escutar seu coração para saber! Aquela pele bronzeada, aquele corpo.. O rosto.... Por que estava li? Nunca vi ninguém além de mamãe por aqui. Antes que o céu fechasse completamente peguei um dos meus únicos cobertores porque logo ficaria muito frio pra qualquer humano do lado de fora, tomei coragem e caminhei na neblina da floresta, escutando os tilintares conhecidos no frio até onde havia encontrado-o e como de esperado, ele ainda estava lá.  Eu não sabia se todos os homens eram parecidos com ele, acreditei que sim, deixei o medo evaporar aos poucos pensando que era uma pessoa machucada e precisava de ajuda, não podia deixá-lo morrer, não conseguiria. Me abaixei perto do corpo do imenso, e mais perto dele suficiente. Inalei um cheiro de perfume, perfume de um alor diferente o qual eu não consegui indetificar, com certeza masculino, mas era como de um deus e me arrepiava. Vamos lá, Lola Faça algo. Me cobro tremendo com a situação. Parei de tentar cheirar o perfume gostoso ou olhar o "V" que decia por suas calças pretas e me questionar exatamente como eram... Claro que li o livro de ciência, mas ainda sim parece ser tão diferente. Abaixei meu rosto perto do seu peito gelado e muito firme, fazendo minha pele acordar com o contato. O coração do homem bombeava como um tambor dentro do peito, mostrando vidq. Respirei fundo, ele apagou e pelo sangue deve ter se ferido, mas ainda está vivo! Olhei para o distante, o sol cada vez mais baixo e alaranjado, temia que escurecer e tê-lo aqui. Então supliquei: — Moço acorde, acorde! Se ficar aqui você vai morrer! Acorda. Toquei seu rosto passei os dedos em sua barba vultosa e me assustei pelo meu próprio ato! Estava praticamente quase em cima dele! De um homem, de um homem desconhecido! De alguem que nunca vi. O que estou fazendo? Prestes a levantar assustada, mas fui puxada ainda mais para baixo e para cima dele completamente. O imenso homem abriu os olhos negros como a noite, me fez perceber que todo meu temor estava certo, meu corpo entrou em um choque profundo no atrito brusco com o seu. O homem me aperta tão firme ao ponto de todo meu corpo se esquentar ao pavor. 
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