Capítulo 6

861 Words
Capítulo 06 Aisha Saad — Calma, aqui está a sua bengala. Por que ficou tão nervosa? — o rapaz perguntou com uma voz suave. — Eu preciso sair desse hotel. Meu irmão está atrás de mim, ele não pode me encontrar. Me ajude moço, por favor. — Procurei pelas mãos dele, ele segurou. — Meu nome é Rafael, pode me chamar assim. Eu te ajudo a se manter escondida aqui, se esse homem pode te causar m*l. — Não, eu preciso ir. Ele sempre me encontra, preciso ir. — Comecei a andar naquele corredor pequeno e com cheiro r**m, procurando as minhas coisas, apalpando tudo, com medo de encostar no que não devia. Peguei a minha pequena bolsa. — Olhe, eu não tenho muito dinheiro, mas posso te pagar para que me ajude a encontrar um quarto em uma pensão mais barata. — Fui tentando sair, e ele me ajudou. — Você está muito nervosa. Olha, espera até o final do dia, não posso ir com você agora. É só ficar lá dentro, posso te trazer uns pães e também almoço, não se apavore. Meu coração estava disparado, m*l se continha no peito. Ele não fazia ideia do que eu estava falando, não sabe tudo o que passei para chegar até aqui. Eu não poderia esperar, teria que ir sozinha... — Eu entendo. Te agradeço por tudo, por me ajudar e se arriscar por isso. — Você vai esperar, né? — Vou tentar. — Ele ficou um pouco em silêncio. — Eu volto no horário do trem, ok? — Ok. Ele saiu e continuei naquela porta, tentando decidir. O problema foi que comecei a pensar, e a cada segundo ficava mais assustada. Meu irmão não brinca com as coisas, ele já deveria estar no Brasil. Com as mãos trêmulas e com dor de cabeça de tanto pensar, decidi que precisava ir, mesmo sem a ajuda de Rafael. Não adiantaria discutir com meu irmão Aaron, eu já havia tentado tantas vezes. Ele nunca me ouviu, apenas me espancou e deixou claro que eu casaria com um velho de sessenta anos que estava me esperando. Outra vez eu precisaria fugir, como já fugi de Israel. Fui rápida, saí apenas com a minha pequena bolsa. Arrumei o hijab, peguei a bengala e saí daquele quarto, segurando nas paredes para ir mais rápido. Contei os segundos no elevador para saber quando eu poderia descer, já que apertei três botões diferentes de desespero. Nem sei como cheguei tão rápido à última recepção, mas senti um cheiro masculino e, quando alguém se esbarrou em mim, eu perdi o controle. Seria ele? Aaron me encontrou? Já imaginei Aaron me batendo, falando coisas horríveis ou ameaçando machucar meus irmãos mais novos. Ele sabia que era o meu ponto fraco. — Pelo amor de Deus, não me leve! Eu imploro, me deixe viver aqui. Eu imploro. — Me joguei no chão de joelhos, esperando o tapa que meu irmão me daria na cara, como eu já estava acostumada. O meu corpo já estava cheio de cicatrizes, mas eu morreria se outro homem me tocasse, e aquele noivo eu conhecia muito bem, era perverso. As outras esposas haviam morrido de tanto apanhar. — Eu posso trabalhar, Aaron. Posso cuidar de crianças, você sabe. Não me leve, não me leve! — Calma, moça. Você está muito nervosa, como posso ajudar? Alguém está te ameaçando ou algo do tipo? — uma voz doce de mulher e um toque suave tentava me erguer do chão. Tentei reconhecer os cheiros do ambiente, ou ouvir os sons das vozes ao redor, mas parecia que estava tudo misturado. Eu não tinha mais escolhas a não ser implorar a uma desconhecida. — Sim, eu não quero ir. Pelo amor de Deus, sou uma pessoa boa, só preciso de ajuda, me tira daqui. Não sei andar pelas ruas, quem estava me ajudando não está aqui agora. Meu irmão vai me achar, ele vai me achar. Não posso me casar com aquele velho que ele quer, meu coração nunca poderia amá-lo. — Esse homem está aqui? — Sim, me ajude. — Podemos chamar a polícia, se quiser. Por que ele quer casar você com um velho? — Por dinheiro, mas eu só quero viver em paz, por favor! Se ele me achar vai me chantagear, me ameaçar. Eu fugi de Israel e quase morri algumas vezes para conseguir chegar até aqui. Vendi as joias da minha mãe, sofri muito! Meu irmão é perverso, quer dinheiro, e se eu não fugir, ele vai me arrastar. Faço o que a senhora quiser, só precisa me ensinar uma vez, eu juro. — Veio de Israel, sozinha? — com certeza a mulher deveria estar me olhando, percebeu que não enxergo quase nada. Se eu já tivesse pegado meus óculos, veria vultos e um pouquinho de luz. — Sim, eu imploro. Me ajude. Me tire daqui, por favor. Me tire daqui. — Senti a mulher me puxar para algum lugar, e meu coração batia desesperado. Engolindo o meu próprio choro, mergulhando em desespero e apertando forte as portas do veículo, eu fiquei ali, sem saber se eu havia sido salva ou entregue ao próprio d***o.
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