Capítulo dois - Peter

2329 Words
A vida me mostrou que não devo confiar nas pessoas, que não devo me entregar para elas. Eu aprendi que amar não adianta nada. E agora, eu não me importo em fazer sofrer, porque acho que todo mundo precisa passar por isso, todo mundo precisa sofrer por amor para aprender a deixar de ser tão burro. Eu era um i****a, mas agora não sou mais. Fazia qualquer coisa por amor, mas percebi que nada adiantou. Eu fui machucado e por isso não me importo de machucar os outros também. Eu engano mulheres por prazer, eu gosto de fazer isso, porque também já passei por isso. As pessoas mudam. Umas se tornam boas, outras más, eu apenas... sou um quebra corações. A vida é dura e ela é justa porque é injusta para todo mundo. Eu também não queria ter sofrido, mas não é algo que a gente possa escolher. Às vezes eu me pergunto o que seria de mim se eu tivesse encontrado uma mulher diferente da Madeleine. Talvez eu não seria esse monstro que ela criou. Com certeza que não. — Pensei que fosse ficar mais um pouco. — Halley diz. Termino de vestir a minha roupa para poder ir embora, olhando para Halley que está nua na cama, tentando me fazer ficar. Ela sabe que não posso ficar porque ela também precisa ir para a sua casa, senão seu marido desconfia. Halley e eu somos amantes há um bom tempo, talvez cinco meses. Ela é casada com o amigo do meu pai que é vice presidente da Tales Tec, mas ela só casou por dinheiro. John Savage não é considerado muito atraente nem para mulheres da sua idade e ele é muito chato, Halley diz que é péssimo na cama e que beija m*l. Às vezes tenho pena dela por estar com alguém como ele quando poderia estar comigo. — Seu marido vai começar a desconfiar de você! — Digo fechando a minha camisa. — Estou farta dele! Não sei porquê ele não tem um ataque cardíaco ou alguma coisa qualquer para que suma desse mundo. — Ela diz. — Foi um comentário h******l, Halley! — Digo. Mas sinceramente, eu não me importo. Há muita m***a que não me importa nessa p***a de mundo. — Eu sou h******l! — Ela ri. — Então, nenhuma vítima para essa semana? — Isso não tem a ver com você. A minha vida não te diz respeito. Ela olha para mim. — Eu só gostaria de saber o que essa Madeleine fez com você para ficar tão frio e r**m. O que Madeleine fez foi simples: Eu dei o meu coração e ela esmagou sem piedade, ela pisou com seus saltos altos, depois incendiou e jogou fora. Eu já não a amo, mas nunca irei perdoá-la pelo que me fez. — Essa m***a você nunca vai saber! — Digo ameaçadoramente. — Alguma vez eu já disse que adoro o seu sotaque? Principalmente quando fala palavrão. — Ela levanta para vir me beijar, mas eu me afasto. — Todas adoram! — Sorrio. — Eu tenho que ir. — Então, vá! A gente se fala depois, Peter. Só não muito cedo porque ultimamente aquele velho i****a tem dormido muito tarde. — Quem mandou ser interesseira? Agora viva com isso. Pego nas minhas chaves, celular e carteira e saio do quarto de hotel. Halley não trabalha e quando quer me ver, paga um quarto em hotéis diferentes o tempo todo. Mas ela sabe ser discreta. Eu gosto de mulheres, isso não posso negar, mas não me relaciono sentimentalmente com nenhuma mulher, não a ponto de dar tudo de mim. Na verdade, sou um pouco frio com elas. Halley nem tanto porque nos damos muito bem. Mas hoje eu notei a minha próxima vítima. Acabo de esquecer o nome dela, mas sei que é a recepcionista de cabelos negros. Eu não ligava para ela, mas hoje vi o jeito que olhava para mim e parece que já está enroscada na teia da aranha e assim é muito mais fácil. Ela é bonita, tem algumas curvas e parece ingênua. Muito ingênua. Eu sempre quis saber como é dormir com mulheres assim. Deve ter um toque de excitação diferente do que é normal. E pensar nisso só atiça a minha curiosidade. Quero ver se a menina ingênua consegue resistir ao meu charme, meu sorriso e minha sensualidade. Se as mais difíceis não conseguem, ela também não. E para tornar isso um pouco mais interessante, eu posso também brincar um pouco com o meu temperamento. Tenho a certeza que em uma semana ela estará na palma da minha mão. A coitada nem sabe o que lhe espera. Dirijo até casa e chego depois do jantar. Já jantei com Halley então, não faz diferença alguma. Vou só tomar um banho e dormir. A mansão da família Tales é enorme. Eu diria até exageradamente grande. Eu queria morar aqui com Madeleine quando nos casassemos. Ainda bem que abri os olhos e não cometi essa loucura. Encontro minha mãe na sala com meu irmão Nicholas. Meu pai está viajando, Harris deve estar no quarto ou com a sua namorada gostosa e Renner deve estar comendo alguém em alguma boate. — Porquê você chega sempre tarde? — Nicholas pergunta. Ele é o irmão mais desconfiado e frio da família. Mas tem os seus momentos. Assim como eu, Nicholas é um pouco fechado para o amor, mas ele não é parecido comigo no que toca a brincar com o coração de algumas mulheres. Há algumas que merecem. Nicholas é o bebê da mamãe, pode não parecer, mas ele é. E ele tem trinta. Mas eu entendo. Algumas vezes também choro no colo da minha mãe. — Porque a minha vida é diferente da sua e eu faço o que quiser da minha vida. — Deixa o seu irmão em paz, Nick. — Minha mãe diz. — Ele deve estar cansado do trabalho. — Eu também. A gente trabalha juntos. E eu vi você saindo um pouco mais cedo. — Ele arqueia uma sobrancelha para mim. — Sabia que eu odeio você? — Brinco. Eu amo os meus irmãos. Desde pequenos que somos unidos. Só temos gostos e personalidades diferentes. — Peter, não diga que odeia o seu irmão! — Mamãe estreita os olhos para mim. — Desculpa, Nicholas! — Dou um falso sorriso. — Como quiser! — Ele volta a sua atenção na TV. — Eu vou para o meu quarto. — Digo subindo os degraus. Eu tenho um apartamento, mas gosto de dormir na casa dos meus pais, assim como os meus irmãos. É um pouco duro admitir, mas somos uns filhinhos de mamãe que gostam de colo e de mimos da nossa mãe. E eu não posso deixar ela só para eles. Eu amo muito a minha mãe. Entro no quarto e começo a tirar a roupa para tomar um banho quentinho. Tenho que tirar o cheiro do perfume da Halley no meu corpo e depois dormir como um anjo na minha King size confortável como o inferno, sem sonhar com as mulheres que devem me odiar. — Você parece exausto! — Harris entra no meu quarto sem eu notar. — Você precisa aprender a bater. Harris é o certinho da nossa família, digamos assim. Eu sou o mais velho temperamental e duro, depois de mim vem o Nicholas, que é o nosso irmão frio que dificilmente mostra emoções (só com a nossa mãe), depois vem o Harris que é um verdadeiro príncipe encantado que as mulheres procuram e por fim o meu irmão caçula Renner que é pior do que eu, mas pelo menos ele deixa claro para elas o que ele é. E assim somos os irmãos Tales. — Eu já sei, Peter. — Ele diz. — Sabe o quê? Seja mais específico. — Já estou completamente nú. — Eu sei que você anda se encontrando com a Halley Savage. — Ele diz. — Não adianta negar porque a Madeleine contou tudo. Eu rio. Madeleine é a minha ex-namorada. Sinceramente, depois de tudo o que ela me fez ainda tem a coragem de me perseguir e se intrometer na minha vida. Mas eu já disse para ela que nunca voltaremos a estar juntos. — Acha isso engraçado? — Ele fecha a porta. — Peter, você está destruindo um casamento. Você está tentando terminar a amizade do nosso pai com o Savage? — Ele não vai saber! — Dou de ombros. — Mas ficar com uma mulher casada? Não acha que passou dos limites? — Ele é tão chato! — Eu vivo a minha vida como bem entender. — Eu entendo o que aconteceu... — Cala a boca! Você não entende p***a nenhuma porque não estava na minha pele. Agora me deixa viver a minha vida. — Digo já irritado. — Você sabe que... — Eu sou o mais velho aqui! Saia do meu quarto! — Aponto para a porta. — Tudo bem. Mas pense sobre o assunto. — Ele sai e fecha a porta. Eu não vou pensar nisso. Ele não sabe o que é dar tudo por alguém e depois ser esmagado e colocado no inferno. Madeleine fez isso comigo, eu me vingo com outras mulheres. Pouco me importa o que os outros sentem. Isso me faz sentir melhor. Algumas vezes. Nicholas e eu vamos trabalhar. Harris também, mas ele sai sempre antes de todo mundo. Nós trabalhamos com o nosso pai na Tales Tec, exceto Renner que adora curtir a vida e que prefere ter dinheiro sem esforço. Meu pai não aprova, mas minha mãe o protege sempre. E quando mamãe protege alguém, não podemos fazer nada. Hoje eu fico mais tempo na entrada da empresa de propósito. Converso com Nicholas enquanto tento confirmar as minhas suspeitas sobre a recepcionista de cabelos negros. E claro que ela olha para mim esse tempo todo. Sei que tenta disfarçar, mas comigo isso não resulta nem um pouco. Eu sou muito bom a perceber as coisas. Ela atende algumas pessoas, depois olha para mim. Sempre que olho para ela, desvia o olhar, mas depois olha para mim novamente. Eu tenho esse efeito em muitas mulher. Parece que nela não é diferente. Então, acho que em menos de uma semana ela vai estar comendo na minha mão. Nicholas olha para a recepcionista depois para mim. — O que está acontecendo? — O costume! Mulheres aos meus pés. — Respondo. Ele revira os olhos. — Claro! Como você é o único que atrai mulheres, não é mesmo? — Não precisa ficar com inveja. — Digo. Digo na brincadeira. Nicholas não se relaciona com ninguém. Antes eu pensava que era gay, mas agora tenho a certeza que não é por isso. Eu acho que deixei ele traumatizado, pois faz um bom tempo que ele não tem uma namorada. Não depois de Madeleine. Ela não só machucou a mim como indiretamente chegou a atingir o meu irmão. — Você está mesmo interessado na Esmeralda? — Ele pergunta. Cruza os braços, aguardando a minha resposta. Esmeralda. É esse o nome dela! — Interessado! Exatamente. Há um grande interesse aqui. E como você sabe, é temporário. — Você não sabe quem é ela, não é? Isso vai ser interessante. — Ele sorri de um jeito c***l. — O que você quer dizer com isso, Nicholas? — Se eu fosse uma boa pessoa, eu diria. Você é o mais velho, você nos ensina e aprendemos com os seus erros. Então, descubra sozinho! — Não sei porquê eu ainda converso com você! — Deixo ele sozinho e caminho até a recepcionista bonita. Noto que ela endireita o cabelo e finge que não se importa com a minha aproximação. Eu devia escrever um livro para ajudar outros homens a saber quando uma mulher gosta de você. Ela olha para mim e sorri. E eu ponho todo o meu charme por cima dela. E também o que eu acho que é uma vantagem no mundo dos conquistadores, o meu sotaque. — O dia está fresco hoje! — Digo. — Sim, está, Senhor Tales. Precisa de alguma coisa? — Noto seus olhos verdes. Realmente parecem esmeraldas. — Acho que vai ser excelente beber um chá. Não concorda? — Talvez. — Ela é um pouco lenta e muito inocente. — E quer fazer isso? — Pergunto. Ela olha para mim como se eu não fosse humano. — Como assim, senhor Tales? — Quer beber um chá comigo depois? Pode ser depois do trabalho. — Eu... eu não sei se posso. Não tenho paciência para isso! — E porquê não? Você tem namorado? — Não. É porque eu trabalho para o senhor... — Isso não nos impede de tomar um chá mais tarde. Mas se você não quiser, não volto a incomondá-la. — Finjo uma cara de cachorro molhado. Ela olha para baixo, pensando um pouco. — Talvez não haja nenhum problema tomar um chá depois do trabalho. — Ótimo! Então, podemos nos encontrar às quatro? — Claro! — Ela está sorrindo. Essa mulher olha para mim de um jeito exagerado. Parece que sou um deus. A sensação é ótima. Eu me afasto dela e caminho até ao elevador com Nicholas. Ele olha para mim de um jeito estranho. Eu sei que ele é estranho, mas hoje está mais estranho que o normal. — O que foi? — Nada. Absolutamente nada. — Ele sorri. — O que você está escondendo, talvez Renner ou Harris digam para mim, você sabe! — Talvez apenas eu saiba, talvez não. Eu acho melhor você descobrir sozinho. — Você é um i*****l! — Obrigado! — Ele sorri. Não importa o que ele está escondendo, eu vou descobrir depois. O importante é que ela aceitou tomar um chá comigo. Acho que vai ser fácil conseguir o número do celular. E mais fácil ainda levar ela para cama. Já tenho um plano na minha cabeça. Se ela continuar tão fácil e inocente assim, não tem como as coisas darem errado.
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