Narrado por Eva Solis:
— Her...herdeiro? — A palavra quase não sai da minha boca, os meus batimentos conseguiram alcançar uma velocidade maior, o que fez acumular sudorese nas palmas das minhas mãos, m*l pude me controlar diante ao homem sentado do outro lado da mesa, com olhos atentos em mim.
— Entendo. Podemos começar assim que nos ajustarmos melhor à nova rotina e situação. Eu só preciso de um pouco mais de tempo. — Digo-lhe buscando demonstrar naturalidade.
Ele continua com um olhar firme em mnha direção —Não podemos adiar muito mais. Organize-se e esteja pronta. Não quero que haja mais atrasos."
Engoli tudo em seco, medo, pavor, tentando passar uma imagem tranquila afirmo ao que diz, mas como um herdeiro? Como eu poderia ter um filho com este homem? Porque ele quer ter um filho com Ezra? Havia muita coisa naquele acordo que eu não teria como descobrir em dois dias.
Diante do olhar sério e firme de Mason Dasílis, me esforçcei para não cair do assento, Ezra teria que me explicar sobre isso. O ar tonando-se carregado de tensão, desde que ele mencionou sobre a necessidade de um herdeiro, para quê ele queria um herdeiro? A ideia de ter um filho com ele me angustia profundamente, principalmente porque não havia planejado nada disso e, mais importante, estava preocupada com o bem-estar de Isabela.
Enquanto Mason discutia a situação e os planos para o futuro, apenas lutei para manter a compostura a mesa, todas as frutas tiveram um sabor amargo na minha boca. O desejo de correr para Ezra e confrontá-la era forte, mas eu sei que a minha irmã é implacável e que qualquer movimento precipitado poderia colocar Isabela em perigo. O pensamento de minha filha sofrendo como resultado de minhas ações impediu-me de agir impulsivamente.
Quando Mason finalmente se levantou-se, dando-me um pouco de liberdade, eu respirei fundo, deixando o ar que prendi desconfortavelmente evaporar dos meus pulmões. Eu decidir aproveitar a oportunidade para fazer algo crucial. A necessidade de garantir a segurança de minha filha e de buscar um pouco de alívio emocional me empurraram para fora da mansão.
Apesar da oferta de Homes, com motorista, peguei um táxi e me dirigiu para a mansão Muller. O trajeto parecia uma eternidade, mas a determinação de ver a minha filha e minha amiga me mantiveram focada. Ao chegar à mansão, notei que a casa estava silenciosa, com um ar de tranquilidade que parecia contrastar com a minha própria inquietação.
Desci e paguei o táxi, e ao chegar a portaria, vi o meu pai, o Sr. Muller, de pé perto do veículo, aparentemente envolvido em algumas tarefas matinais. Entrei devagar, mas ele me notou, e de imediato pareceu surpreso ao me ver, especialmente considerando que eu havia acabado de me casar.
Não pude deixar de pensar que então, era esse o futuro que ele tinha reservado para mim, também? Casar-me com um homem por dinheiro? Eu fui uma completa decepção para ele.
O Senhor Muller me olhando surpreso, abre meio sorriso, e diz: — Ezra? O que faz aqui tão cedo? Acabou de se casar, não deveria estar descansando? — O sorriso expandiu-se com a minha aproximação, cheguei até ele em passos lentos, havendo muitas lembranças.
Forçando um sorriso e tentando manter a calma, eu deveria ser péssima em fingir ser a minha irmã, sempre fomos muito diferentes. — Oi, pai. Eu... precisava vir aqui. As coisas estão um pouco complicadas para mim.— O seu olhar tornou-se expantado, com as minhas palavras, ele parecia surpreso com o que eu lhe disse.
O senhor Muller, olhando para mim, com preocupação, sem me reconhecer — Não precisa se preocupar, filha. Entre, vou preparar um café para nós. É bom ver você. — Os meus olhos encheram de lágrimas, eu sentia falta deste pai, aquele carinhoso, amigo, nas minhas recordações eram bom, mas havia um que não era bom ser lembrado.
Me senti tocada pela sua gentileza inesperada, sabendo que o Sr. Muller não me reconhecera devida a minha ausência por anos, a e à confusão que o cercava. O fato de ele tratá-la com tanta cordialidade e sem saber dos planos de Ezra e da madrasta trouxe um alívio momentâneo.
— Não precisa papai, só vim ver a Ivone, onde ela está? — Meu pai sorriu amplamente ao ouvir. — Você não vive sem ela, não é? Aquela preguiçosa ainda está no quarto, dormindo, querida. — Dei passos para seguir, mas por surpresa, ele me puxou dando-me um abraço e beijo na testa.
O meu sangue freveu e esfriou em uma larga escala de curto tempo. — Obrigado por se sacrificar por nós, minha querida. — Disse emocionado contra a minha testa, a voz indicava choro, me deixando perdida sem saber o que fazer.
— Eu sei que aquele homem não é gentil, e nenhum pouco bonito. — Apenas fugi do seu abraço, eu desmontaria, choraria com ele, e lhe contaria tudo, isso poderia ser o fim para mim, para a minha família. — Tudo bem, papai, não chore. — Disse fugindo, escondendo as minhas lágrimas.
Entrei na mansão Muller, comovida com o contato com o meu pai. A familiaridade do lugar me trouxe uma onda de nostalgia e tristeza, lembrando-a dos tempos mais simples de minha vida, antes da morte de minha mãe, e a chegada de Ivone a nossa casa, eram tempos agradaveis e felizes, que tiveram fim.
Mas a saudade, a curiosidade me matavam, serava-me como uma tortura com faca cega. Limpando o meu rosto, dirigi-me rapidamente ao meu antigo quarto, onde sei que Fátima e Isabela estão escondidas. Ao entrar, encontro Fátima cuidadosamente tomando conta de Isabela. A visão de minha filha saudável me segura me trouxe um alívio profundo.
Fátima curvada penteando o cabelo de Isa, que parada com o lego nas mãos, não parecia ter interese em saber de outro mundo, sequer.
Até que ao me ver, abrindo um sorriso, Fátima continua a prender as mechas de cabelos escuros.
— Eva, você veio. Estava começando a me preocupar. Como está tudo lá fora? — Eu invejei a sua determinação, e sorriso, mas suspirei em alívio, sentando-me na cama.
— É caos, mas estou tentando lidar com isso. Não consigo acreditar que Mason quer um herdeiro tão cedo. Eu... precisava vir aqui. Ver Isabela e saber que você está cuidando dela é um alívio imenso. — Fátima com me dá um olhar compreensivo — Eu entendo. É bom ver você também. Isabela está se adaptando bem. Nós temos nos mantido seguras e tranquilas aqui. Mas e você? Como está lidando com tudo isso?
Continuo olhando para Isabela, enquanto a menina brincava com alguns brinquedos — É difícil. Ezra está controlando tudo, e Mason parece estar mais focado em seus próprios planos do que em mim. Preciso encontrar uma maneira de mudar isso, mas não posso agir de forma precipitada.
Fátima, percebendo o estresse e a minha preocupação, sorri reconfortante, tentando me acalmár.
— Nós vamos encontrar uma solução. O importante é que Isabela está bem. E agora que você está aqui, podemos pensar em um plano para enfrentar a situação. — Infelizmente eu não via nenhuma a não ser seguir com o planos deles, se fugisse, saberiam onde me encontrar, além de não saber quem está com elas, temos pouco dinheiro.
Afastando uma mecha de cabelo do meu rosto, olhando para Isa, agradeço. — Obrigada, Fátima. Só saber que você está aqui me dá forças para enfrentar o que vem pela frente. Vamos manter a calma e tentar encontrar uma saída.
As duas sentaram-se ao meu lado, até que Isa, parecendo sentir a minha falta, senta dentro das minhas pernas, ainda com os legos nas mãos, sentindo-me um pouco mais tranquila, mas ainda profundamente preocupada com o futuro. Eu sei que preciso ser estratégica e cuidadosa em meuss passos, mas ter um momento de paz com a minha filha e amiga me parece ser uma pequena vitória no meio da turbulência.
Depois de passar um tempo com Isabela e Fátima, eu precisava me preparar para o pior. E este estava bem ali no outro quarto, precisava de coragem pra isso. Vendo Ivone trazer uma refeição pequena para uma pessoa, sendo que havia duas para comer, notei como Fátima esta fazendo sacríficios, ao me pedir para não falar nada.
Saio do quarto, deixando as duas comendo, uma maça, algumas torradas e um chocolate frio.