Narrado por Eva Solis:
Segui para o quarto de Ezra, encontrando um ambiente vermelho intenso, muito escuro, e um odor pouco agradável, aos meus olhos a visão do inferno se estabelecerá desde a sua presença em qualquer lugar.
— Ezra? — Entrei no quarto chamado-a quase ruidosamente, o ambiente fechado indicava que ela ainda dormia, fechando a porta atrás de mim, papai mais cedo estava em casa.
Andei pelo quarto, até segui o som até uma sala adjacente, onde encontro Ezra falando ao telefone. Ezra estava em um canto isolado da sala, longe do meu alcance imediato, com uma expressão de irritação no rosto. A conversa parecia ser uma discussão intensa, com Ezra falando em um tom baixo e firme com alguém.
— Onde você está? — Ezra dizia no telefone, sua voz carregada de um misto de frustração e impaciência. — Precisamos continuar essa conversa. Não estou disposta a esperar para resolver isso. — Até hesitei por um momento, não querendo interromper a conversa de Ezra, mas a insistência na sua voz me fez com que eu me sentisse desconfortável. A decisão de me aproximar e tentar ouvir o que estava sendo discutido era tentadora, eu sabia que era melhor manter-se discreta.
Mas eventualmente, Ezra desligou a chamada com um gesto brusco, sua expressão se tornando mais severa. PercebI que o telefone de Ezra havia tocado novamente e, ao olhar discretamente, notei que era um número desconhecido. Ezra parecia frustrada com a chamada e com a situação em geral, o que apenas adicionava mais camadas de complexidade à situação já delicada.
Ezra me pareceu visivelmente irritada e cansada, notando a bagunça espalhada por seu quarto, havia algo errado. Ao me ver Ezra, me deu um sinal de que a conversa deveria continuar, mas o seu olhar deixou claro que a paciência estava se esgotando. Alguém estava lhe pressionando? Ela estava em algo envolvimento?
— Eva, vamos terminar o que começamos — disse Ezra, sua voz agora mais controlada, mas ainda com um tom de exasperação. — Precisamos resolver essa situação de uma vez por todas. Sua filha está segura por enquanto, mas quanto mais tempo você demora, mais complicado isso se torna.
A maquiagem borrada, me dizendo ser da noite anterior, ela não havia mudado em nada, continua a ir a festas, envolver-se com desconhecidos, não havendo muitas diferenças entre ela e mulheres que vendem seus corpos.
Buscando coragem olho em volta, decepcionada,ate quando ela me colocará em seus joguinhos?— Ele quer um filho, Ezra...— Busquei medir palavras para dizer, mas o que veio em resposta foi uma mera risada. — E daí, dê um filho para ele. — Zombou ao simplesmente me dá as costas, pegando em sua mesa de cabeceira um cigarro.
— Eu não posso fazer isso, um filho. — A insatisfação me dominava, lhe vendo acender um cigarro a minha frente, as suas unhas grandes pintadas de vermelho. Até soltar a fumaça no ambiente, me permitindo apenas me afastar. — Eu não posso gerar um filho com aquele homem, porque você fez este acordo com ele? Eu pensa que eu sou você.
Desdenhando, sentou-se a sua cama, empurrando as roupas sobre ela. — Dê um filho a ele, e logo a sua filha estará em liberdade, deixo você voltar para a sua vida mediocre, Eva.
— O que? Ezra uma gravidez é no mínimo nove meses, como você acha que isso será possível? — Pergunto a mulher que não emite quaisquer expressão. — Ezra está me ouvindo?
— É um filho pela a sua filha, é pegar ou largar. — Engoli em seco, com as suas revelações, a minha irma sempre mostrou que não gosta de mim, mas desta vez, deixou escancarado. — Lhe dou um ano, para que volte a sua vida, Eva, com a sua filhinha doente. — O meu sangue ferve.
— Ela não é doente, ela é autista, Ezra! — As lágrimas vem pela raiva e o rancor, a sensação de vulnerabilidade que me consome, eu deveria proteger a minha Isa de tudo e todos, mas não posso.
— É isso, ele quer um herdeiro, der-lhe um herdeiro, você pode partir com a sua amiga e sua filhinha para a sua vida de m***a. — E assim, levanta-se indo ao banheiro, as lágrimas descem, eu não teria condições de fazer algo deste tipo.
Deixo as lágrimas descerem enquanto ela adentra o banheiro, e de lá não parece sair mais. Ouço o chuveiro ser ligado, olho para a porta, a mulher de pe nela, sorri amplamente, como tem um trófeu em suas mãos. — Então, como foi a conversa? Me conte Eva, como a noite de nupcias?
Se aproxima desdenhosa, ao erguer a mão me afasto. — Pelo visto me enganei, o senhor Dasílis se mostrava tão viril, tão forte, ele não te deixou nenhuma marquinha? Me fale menina, como ele é?
— Cala a sua boca imunda, Ivone, é você que está ajudando a Ezra... — O meu tom altera pela raiva acumulada, tenho vontade de esmaga-la como uma barata, mas sei que não posso.
— Shhhh! Fale baixo, o seu papai pode chegar, se ele ouvir a sua voz.— Ivone diz passando por mim, indo em direção ao banheiro, seco as minhas lágrimas, lhe vendo entrar no banheiro. — Ezra querida?
— Oi Ivi, já estou saindo. — Ezra diz confiante do banheiro, o que me resta é apenas sair, volto para o quarto vendo Isabela sentada brincando e Fátima ao telefone explicando a sua falta e que precisa se afastar por um dias do seu emprego, preciso fazer o mesmo, mas diante aos fato, tenho que pedi demissão, eles jamais aceitaria tanto tempo longe.
Dois anos vão embora rápido, apenas choro, enquanto Fátima parece surpresa com o que ouve. — Você lutou tanto por este emprego.
— Vocês não podem continuar aqui. — Limpo o meu rosto tendo consciência de possíveis próximos passos, saimos da mansão juntas, e para a minha surpresa sem intervenção de Ezra ou Ivone, mas temi que fossêmos seguidas, certamente estavamos sendo.
Eu precisava organizar a minha mente, e agir, após uma tarde com as duas, Isabela parece amar a natureza, por isso almoçamos num restaurante próximo ao parque. Não sabia qual o rumo tomar, um filho? Isso me doi tanto, eu jamais teria como abrir mão de um filho, se fosse tão fácil, teria abortado a minha filha, quando Aquiles me pediu, eu fugi, eu fui abandonada por ele, e faria isso mil vezes.
Depois de uma manhã tumultuada e um início de tarde cheio de incertezas, voltei para casa com a mente ocupada, mergulhada em pensamentos sobre a situação que havia sido forçada sobre mim. A sensação de que minha vida estava fora de controle persistia. Minha nova realidade era um emaranhado de dúvidas e frustrações, e a imagem do meu pai e da minha irmã negociando meu futuro com Mason Dasílis pesava sobre mim.
Ao entrar na casa, senti um choque térmico ao me deparar com a frieza do ambiente. O lar, que deveria ser um refúgio, parecia cada vez mais um labirinto de emoções e decisões difíceis. O eco dos meus passos parecia amplificado na grande sala, e a sensação de estar longe de casa era palpável.
Mason estava em casa, sentado na sala de estar, um ambiente que eu já começava a reconhecer como parte de minha nova vida.
Ele levantou-se ao me ver entrar, e eu pude sentir a tensão no ar. A conversa que teríamos estava iminente, e eu sabia que seria uma tentativa de ajustar a dinâmica entre nós, de entender os termos do novo acordo e os limites que seriam impostos.
Mason com um tom controlado — Boa noite Ezra. — O jeito que a sua voz pronuncia este nome, me causa repulsa, essa é a sua verdadeira esposa, mas quem está aqui sou.
— Boa noite senhor Dasílis. — Não havia muita conversa, logo ele me indicou o seu escritório, eu temi o pior. A sua conversa se tratava de nada mais nada menos sobre a minha liberdade, não diretamente a uma, e ouvir ele dizer que não quer que me envolva com outros homens, envergonhou-me, eu nunca fui uma descarada.
Eu assenti, embora a ideia de estar tão limitada me deixasse inquieta. Era uma sensação desconfortável, saber que minhas ações estavam tão controladas e que a liberdade que eu havia tido antes estava sendo reduzida drasticamente.
Ele fez uma pausa e então retirou um cartão da gaveta da sua mesa. Era um cartão de crédito preto, elegante e chamativo, o tipo de cartão que exala status e exclusividade.
Mason entregando-me o cartão — Este é um cartão Magnum Black ilimitado. Enquanto você estiver cumprindo com as condições do nosso acordo, você terá acesso a todos os benefícios e serviços que ele oferece. É uma forma de garantir que você tenha tudo o que precisa enquanto estamos juntos.
Olhei para o cartão com uma mistura de surpresa e resignação. A ideia de ter acesso a uma quantidade praticamente ilimitada de recursos era tentadora, mas também era um lembrete constante do poder que Mason exercia sobre mim. Era uma forma de me manter dentro dos limites que ele estabelecera.
Eu jamais aceitaria o seu dinheiro, nestas condições, não peguei o cartão, após saber as suas condições apenas sai do seu escritório, lhe deixando para trás. As palavras de Mason ainda ressoavam em minha mente como um eco incessante, uma ameaça constante que parecia invadir cada canto do meu ser. Ele havia falado com um tom que me deixou completamente desorientada, fazendo com que o simples ato de aceitar o cartão Magnum Black que ele me ofereceu se tornasse impossível.
Eu jamais lhe darei um filho, a oferta de luxo e riqueza era a última coisa em que eu conseguia pensar. O que me dominava era um medo paralisante, a sensação de estar à beira de um precipício sem saber como voltar.
Meu coração batia descompassado enquanto eu me sentava, tentando processar a realidade c***l que agora fazia parte da minha vida. A ideia de ter que me envolver intimamente com Mason me fazia sentir um frio na espinha, e a perspectiva de estar com alguém que eu m*l conhecia e que parecia ter pouco respeito por mim era aterrorizante.
Senti uma necessidade urgente de falar com Fátima. Ela era a única pessoa em quem eu confiava o suficiente para me ajudar a enfrentar essa situação. Minhas mãos tremiam ao pegar o telefone, e cada toque parecia um esforço colossal. Quando a chamada foi atendida, a voz de Fátima soou como um alívio em meio ao meu pânico.
Fátima atendeu me com um tom gentil "Eva? O que aconteceu? Você parece muito agitada."
Eva com a voz trêmula e angustiada "Fátima, é terrível. Mason... ele me deu um cartão Magnum Black e falou sobre começarmos a ter relações, que é parte do acordo. Eu não sei como lidar com isso. Nunca estive com ninguém além do pai de Isabela, e agora... agora isso."
Fátima veio com um tom compreensivo e encorajador "Eu entendo que é uma situação extremamente difícil. O que você precisa agora é encontrar uma maneira de lidar com a ansiedade e o medo. Minha sugestão é que, quando chegar a hora, você beba um pouco. Pode ajudar a aliviar a tensão e te ajudar a enfrentar o momento com um pouco mais de tranquilidade."
Eva:"Você acha que beber vai ajudar? Não sei se consigo fazer isso. Estou com tanto medo."
Fátima: "Sim, a bebida pode ajudar a acalmar seus nervos e te deixar um pouco mais relaxada. Não é a solução perfeita, mas pode ser um alívio temporário. E lembre-se, estou aqui para te apoiar em tudo o que precisar." Ela parecia compreender melhor sobre o assunto.
Eva: "Obrigada, Fátima. Eu realmente não sei o que faria sem você. Vou tentar seguir seu conselho. Só espero que isso me ajude a enfrentar a noite."
Fátima: "Você vai conseguir, Eva. Apenas lembre-se de que, mesmo nas situações mais difíceis, há maneiras de lidar com elas. Se precisar de mais apoio, não hesite em me ligar."
Desliguei o telefone com um misto de gratidão e apreensão.