Voltamos no final da tarde. A viagem tinha sido curta, mas parecia que algo dentro de mim tinha mudado. O caminho de volta foi silencioso. Não um silêncio desconfortável, mas cheio demais. Cada pensamento parecia mais alto do que o normal. Quando ele me deixou em casa, apenas disse: — Descanse. Amanhã continuamos. — Certo. Ele assentiu. E foi embora. Fiquei parada por alguns segundos, observando o carro desaparecer na rua. Meu coração ainda não tinha voltado ao ritmo normal. Subi para o quarto e me joguei na cama, encarando o teto. A lembrança do elevador veio imediatamente. O toque dos dedos. A proximidade. O olhar. Fechei os olhos. Aquilo estava ficando perigoso. Peguei o celular. Havia apenas uma pessoa com quem eu poderia falar sobre aquilo. Enviei uma mensagem: "Preciso

