Depois que a gente comeu qualquer coisa no boteco do Ronan, a gente subiu para se arrumar para o baile. Não seria o primeiro do Raul e muito menos o meu, então a gente não ficaria com cara de babaca deslumbrado.
Na hora que o Ronan nos falou, fomos até a quadra, que ficava bem perto de onde a gente estava e depois que o Ronan liberou a nossa entrada, fomos invadidos por imagens de homens desfilando com armas em punho, muitos cordões de ouro, que parecia que eu estava em Dubai e muita, muita mulher seminua dançando de forma extremamente sensual.
Eu não vou negar que fiquei babando, mas não segurei o meu riso quando vi o Raul igual a um cachorro faminto olhando para o frango da padaria. Nós compramos duas cervejas e depois de um tempo nos separamos.
Eu fui para o meio da pista e não pude deixar de perceber alguns olhares sobre mim, mas dessa vez, não era de criminosos desconfiados da minha intenção, mas sim de algumas garotas que estavam me dando mole. Eu não sou o tipo de homem que tem relacionamentos amorosos. Eu só tive uma namorada na vida e foi horrível. A garota até que era legalzinha, mas na primeira semana já tinha enjoado e fiquei uns três meses lutando para aquele namoro dar certo e eu não magoar a mulher, mas foi um fiasco total e depois de todo o meu esforço, ela ainda saiu machucada, por isso, prometi a mim mesmo que não me envolveria mais com ninguém e só sairia casualmente, o que eu tenho feito e tem dado certo até hoje. Minha cama nunca está vazia e eu não assumo nenhum compromisso de que eu vá me arrepender depois. Claro que eu me sinto um pouco sozinho às vezes, mas é melhor assim.
Enquanto estava meio perdido em meus pensamentos, sinto uma mão me tocar muito ousadamente. Se eu não estivesse a trabalho, com certeza iria ir atrás da minha presa e ver se estava ao meu gosto, por isso, deixei pra lá e continuei rodando na pista, onde as pessoas dançavam.
Depois de um tempo, eu parei e me distraí olhando para o DJ que tocava no palco. Não vou dizer que gosto do funk que estava tocando, mas o cara tinha um estilo musical interessante. De repente, sinto o meu corpo sacudir, uma mulher caiu em cima de mim e só não me derrubou porque eu sou bem maior do que ela. Eu sei que se eu não estivesse no caminho ela teria caído no chão de m*l jeito e provavelmente se machucaria, mas isso não impediu dela me molhar com a bebida que estava no seu copo, que entornou na minha camisa branca. Ela então se levantou dos meus braços e olhando nos meu olhos, se esticou e foi até perto do meu ouvido, já que a música estava alta e disse:
ㅡ Obrigada por me segurar e desculpa por te sujar.
Nossa! Por um segundo quase me esqueço que estou em uma missão perigosíssima e puxo aquela loira para um beijo. Que olhos, que perfume... O meu corpo reagiu quase que instantaneamente, mas eu tive que me controlar e apenas disse que estava tudo bem e que ela não precisava se desculpar.
Eu sei que ela esperava que eu ao menos demonstrasse interesse, já que a forma que ela falou comigo foi bem provocante, mas eu não podia brincar e vi que ela saiu sem graça e frustrada por ser ignorada, mas tenho certeza que a frustração dela não chega aos pés da minha. Espero cruzar o caminho dessa loira outra vez para poder fazer tudo o que o meu corpo está implorando para fazer, pena que eu não acredito em destino.
Depois disso, esperei por mais um tempo e fui procurar o Raul, que como eu imaginei, estava encostado em alguma mesa, já que estava cansado, além de alerta.
Já passava da meia-noite, então fomos até o camarote e pedimos para falar com o Abutre e assim que autorizaram a nossa entrada, demos de frente para ele, que no momento tinha duas mulheres o agarrando e quase chegando às vias de fato ali mesmo, na frente das outras pessoas que estavam ali, apesar de não serem muitas.
O homem, com certa dificuldade de se concentrar, já que as amiguinhas dele estavam empolgadas, disse:
ㅡ Pelo jeito vocês se comportaram e não foram atrás de droga. Acho que dá para tentar. Amanhã, comecem o trabalho na Lan house.
A gente ainda estava com o sorriso no rosto, mas ele se desfez quando a figura loira e bonita surgiu diante de nós.
Imediatamente as mulheres soltaram o Abutre, que tentou se recompor e perguntou se ela queria alguma coisa.
ㅡ Não, obrigada. Eu vou para casa. Já cansei desse baile ㅡ disse enquanto olhava para mim com aqueles olhos caramelos hipnotizantes.
Depois que ela saiu, o Abutre, que percebeu a olhada da garota pra mim, me disse:
ㅡ Vocês podem ficar com a mulher que quiserem aqui no morro, mas se um de vocês se meterem a b***a com ela, saiba que a minha promessa de cortar as suas cabeças ainda está valendo.
Eu engoli a seco e apenas balancei a cabeça e fui embora dali com o Raul.
Não acredito que a loirinha era a p***a da mulher do chefe da boca!
Ainda bem que me segurei, senão ia tentar ficar com a única pessoa proibida pra mim.
A gente desceu do camarote e fomos para a pista novamente e como estava liberado o Raul foi se pegar com uma mulher. Ele disse para eu o esperar, pois só iria dar alguns beijos.
Eu sabia que não ia poder deixar ele ali sozinho e então fui para o lado de fora, onde o som era bem mais baixo e fiquei esperando.
De repente, escuto a voz de algumas garotas se aproximando e para a minha surpresa, a loirinha proibida estava no meio delas.
Ela ficou me olhando como se estivesse com vontade e eu não n**o que estava louco para experimentar o beijo dela, mas quem chegou em mim foi a amiga dela. Uma morena muito gata, mas que não chegava aos pés da loirinha.
ㅡ Nossa... Carne nova no pedaço. Será que posso experimentar? ㅡ disse a morena.
Antes que eu respondesse, a loirinha disse:
ㅡ Acho que você não vai conseguir nada aí. Não perca o seu tempo.
A garota olhava para a gente sem entender, mas eu sabia que ela estava frustrada porque não a correspondi no baile e estava me provocando.
Eu não sei o que deu em mim, pois, apesar de não querer me envolver com ninguém, passei a mão no pescoço da morena e a puxei para um beijo explícito, demorado e bem quente. Quando a afastei, com ela ofegante, disse:
ㅡ Prazer, Davi.
ㅡ Rubi. Ao seu dispor. Por que a gente não pula as apresentações e não continua essa conversa lá em casa?
Eu vi que a loirinha me olhava confusa e respondi:
ㅡ Vai ter que ficar para uma próxima. Amanhã cedo tenho trabalho a fazer. Além do mais, se eu não tirar o meu amigo daqui, a ruiva que ele estava pegando vai sugar todas as energias dele.
A morena fez beicinho e enquanto se despedia de mim, o Raul veio chegando e disse:
ㅡ Parece que eu não sou o único a aproveitar as delícias da favela da Nave.
Com exceção da loira do chefe, todos nós rimos e depois seguimos os nossos caminhos.
Depois que estávamos sozinhos, o Raul me disse:
ㅡ Eu estava tão pilhado quando cheguei, mas depois de falar com o Abutre, fiquei mais calmo. Ainda mais depois de poder dar uns amassos naquela piriguete.
ㅡ Ela pode ser piriguete, mas te serviu bem, né? ㅡ disse em tom de reprovação.
O Raul deu de ombros e respondeu:
ㅡ Eu não ligo se é uma mulher fácil, se me deixar satisfeito está ótimo. Nunca vou ter um relacionamento com alguém assim, então, que ela faça o que quiser da vida.
Eu ri e continuamos até chegar na "pousada" do Ronan. Não ia adiantar ficar batendo boca com ele. Mas tenho certeza que quando ele se apaixonar, não vai ligar se a mulher e recatada ou mais direta. De qualquer forma, prefiro as diretas, não estou disposto a um relacionamento e ficar com mulheres que não sabem o que quer é bem chato. Tudo bem, que eu não me incomodaria em abrir uma exceção e correria atrás da loirinha até ela ceder, mas pelo o que eu entendi, ela é mulher do Abutre e além de ser o meu alvo, se mexer com ela posso morrer da forma mais c***l possível