Os dias seguintes passaram num ritmo estranho. A febre da Clara finalmente foi embora, e junto com ela, um pouco daquela tensão que pesava na casa. Mas o que não foi embora foi o Dante. Ele continuava lá, dormia lá, comia lá, fazia parte da nossa rotina como se sempre tivesse sido assim. De manhã, quando eu acordava, já era comum ouvir os passos dele pela cozinha ou o barulho do café sendo passado. A Clara já nem estranhava mais. Ela se levantava, bocejava e ia direto pra sala, onde ele geralmente estava sentado, mexendo no rádio ou no celular, sempre com um olho nas mensagens dos vapores e outro nela. Naquele dia, enquanto eu ajeitava o uniforme da Clara e arrumava a mochila dela, escutei os dois conversando baixinho na sala. — Dante... — ela dizia, com a voz empolgada. — Hoje vai ter

