Passei o resto da madrugada acordada, olhando o teto, sabendo que ele estava lá embaixo, sozinho, armado, pronto para matar ou morrer só por causa da gente. E por mais que eu soubesse o quão errado era, uma parte minha sentia um aperto no peito de saber que ele era capaz de tudo isso só por mim e pela Clara. O cheiro de café requentado me alcançou antes mesmo de eu chegar na escada. O sol m*l tinha nascido, mas já havia um fiapo de luz entrando pelas frestas da cortina da sala. Desci devagar, com a blusa grande cobrindo o short e os pés descalços no chão gelado. Quando dobrei o corredor, ele ainda estava lá, exatamente do mesmo jeito que eu deixei horas atrás. Sentado no sofá, os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça baixa, a pistola na mão. As olheiras escuras cortavam o rosto dele c

