Eu já tinha acordado três vezes com ele se mexendo no sofá. Primeiro reclamando de dor, depois com a respiração ofegante, e agora era a febre subindo de novo. Peguei outro pano molhado, sentei ao lado dele e comecei a trocar a compressa da testa. Ele se mexia inquieto, a pele queimando, o peito subindo e descendo rápido demais. De repente, ele murmurou algo que não entendi. — Hã? — me aproximei mais. — Dante, tá tudo bem? Ele virou o rosto, os olhos meio abertos mas vidrados, como se nem soubesse onde estava. — Não vai... não vai na rua... — a voz saiu fraca e embolada. — Tô aqui, ninguém vai sair, fica quieto! Mas ele continuou falando, como se estivesse preso em outro lugar. — Falei pra ela não ir... falei... Fiquei parada, o pano escorrendo água pela minha mão. — Dante?! — Ela

