28. Luna

962 Words

A madrugada caiu pesada. O silêncio da casa era tão absoluto que parecia vivo. Eu fiquei ali acordada por horas, deitada no sofá com a coberta enrolada nas pernas, encarando o teto enquanto sentia o medo pulsar dentro do peito. A respiração leve da Clara vinha do quarto dela, ritmada, tranquila, completamente alheia ao caos que rondava a nossa vida. E, pela primeira vez, mesmo num lugar novo, com paredes limpas, móveis novos e uma cama vazia só pra mim, eu me senti mais sozinha do que em qualquer casa velha que já morei. Como se todo aquele silêncio fosse uma forma de me lembrar do que eu tinha perdido. Do que tinham arrancado de mim. A claridade invadiu a sala muito antes de eu conseguir dormir de verdade. Passei a noite virando pra lá e pra cá no sofá, com o corpo cansado, mas a mente

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