Foi no fim da tarde que ele apareceu com a chave. Eu estava na cozinha, tentando dobrar umas roupas da Clara, quando ouvi a porta bater com força. Não era a batida de quem pede licença. Era a de quem já se considera dono. Virei na mesma hora, o coração disparando. Ele entrou com aquele andar firme e pesado, a chave pendurada no dedo indicador, balançando de um lado pro outro como se fosse um brinquedo. — Arrumei uma casa melhor pra vocês — disse antes mesmo de eu abrir a boca. Fiquei parada, imóvel, com a camiseta da Clara ainda nas mãos. — Como assim? — minha voz saiu baixa, quase sem força. — Dois quartos, sala grande, cozinha com armário planejado, banheiro com box de vidro. Até máquina de lavar já tá lá. — Ele falou como se tivesse feito o favor do século. — Ah, e tem um guarda-r

