Dante parou bem na frente. Desceu da moto como se tivesse todo o tempo do mundo, como se encontrar uma mulher destruída na porta de uma casa vazia fosse apenas mais uma terça-feira comum. — O que está fazendo aqui ainda? — perguntou com voz baixa, mas com aquele tom de aviso por trás. Não respondi. Ele subiu os dois degraus e parou diante de mim. Olhou para dentro da casa vazia, depois me observou de cima a baixo. — Está esperando o quê? Que eu devolva as coisas? Que eu desfaça a mudança? Permaneci calada. O que eu diria? Que meu peito doía como se tivessem arrancado uma parte de mim? Que me sentia expulsa da minha própria história? Ele respirou fundo. Por um segundo, achei que perderia a paciência de vez. Mas não. Apenas estendeu a mão, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

