Os últimos dias tinham sido estranhamente calmos, daquela calma que sempre vem antes da tempestade. Dante andava menos invasivo, menos presente, mas eu sabia que não era por escolha. Ele estava atolado nos problemas dele, passando mais tempo resolvendo coisas na rua do que dentro de casa. Mesmo assim, quando aparecia, ainda tinha aquele olhar que parecia atravessar paredes, como se soubesse cada passo que eu dava, cada pensamento que cruzava minha mente. Foi numa dessas manhãs tranquilas que o portão da frente bateu com um estrondo familiar. Eu estava na cozinha lavando a louça do café quando ouvi o ronco da moto dele se aproximando e, logo em seguida, o grito animado da Clara. — Mãe! Mãe, vem ver! Sequei as mãos no avental e corri até a porta, meu coração já acelerado sem motivo apar

