Virei devagar, o pano ainda pela metade nas minhas costas. Ela estava no meio da sala, de braços cruzados, com aquele olhar que eu já sabia que ia me dar problema. — Tenho coisa pra resolver — falei, seco. — Ah, tem? Engraçado, achei que ninguém ia sair de casa hoje — ela rebateu, dando um passo à frente. — Não era essa a regra? — Isso é diferente. — Diferente por quê? Porque você é o chefão? Porque é homem? — Ela deu uma risada debochada, sem humor. — Se eu não posso sair, você também não pode. — Luna... — Avancei dois passos, parando perto dela. — Não começa. — Não. Quem começou foi você — ela levantou o queixo. — Fica aqui. Se tá tão preocupado comigo, com a Clara, com segurança, então prova. Fica dentro dessa casa igual você quer que eu fique. Meu peito subiu e desceu com força.

