Bianca
No domingo acordo mais tarde, porque a tia Lurdes estava fora com o Ruan, tomo café e fico assistindo televisão até ela chegar com ele, e de quebra o e******o do Diego, n***o e outro menino. Todos falam comigo e vão pra cozinha carregando sacolas, levanto e vou pro quarto trocar de roupa já que ainda estou de pijama, assim que me troco vou até a cozinha.
- Bia você me ajuda no almoço? Os meninos vão assar a carne a gente faz aqui rapidinho a comida. - Tia Lurdes pede e eu concordo ajudando ela.
Enquanto fazemos o almoço Diego faz de tudo pra me irritar, com piadinhas ou se aproximando demais. Toda vez que toco no nome da Letícia ele fica puto, sem conseguir esconder o quanto odeia ela.
Quando a gente fica a sós na cozinha a tia começa a falar.
- Leticia mudou muito Bia, e você era muito novinha pra entender tudo que aconteceu naquele tempo. - Tia Lurdes fala enquanto mexe a panela.
- Mas o que aconteceu de verdade? Por que ela e o Diego terminaram e a senhora não gosta mais dela? - Pergunto confusa, cortando o tomate.
Ela me olhou e virou a cara quando viu o Diego entrando na cozinha de novo.
- Por que? - Perguntei. Olhando pra ela que ficou calada. E depois olhei para ele.
Ele passou por mim, pegou outra cerveja na geladeira e sentou na mesa, de frente pra mim.
- Porque ela é uma fodida. Se finge de boa moça, mas é uma maldita do c*****o. - Ele sorriu ao terminar de falar. Um sorriso falso e amargo de desgosto. Seus cílios grossos e negros bateram uns contra os outros e por um segundo além do ódio eu enxerguei magoa neles.
Abri a boca pra perguntar mais, e percebendo minhas intenções ele me interrompeu. E mudou de assunto conversando com sua tia.
Pela raiva que eles guardam da Letícia, ela fez muita merda pra essa família.
Almoçamos e ficamos jogando baralho a tarde, eles tomando cerveja e eu no refrigerante com o Ruan..
Já a noite estava sentada na sala enquanto o pessoal ainda bebia lá fora.
O Diego passa por mim indo pra cozinha e eu levanto quando leio a mensagem da Carol, me avisando que está no portão.
Pego as chaves na estante e vou saindo.
- Vai pra onde essa hora? - Diego pergunta da cozinha.
- Não que seja da sua conta.. Mas vou na pracinha lanchar com a Carol. - Respondo grossa. O que ele quer afinal?
- Beleza!. Se teu pai aparecer por lá metendo o louco, não vai ser da minha conta também! - Ele da de ombros e volta a atenção pro celular.
- Eu não vou demorar. - Reviro os olhos, não sei porque estou dando satisfação logo pro Diego. - E Eu já tinha avisado a tia. - No fundo estou com medo do Francisco aparecer e se isso acontecer, a única pessoa que já me defendeu dele foi esse e******o.
- Jaé. - Fala simplesmente. - Qualquer coisa liga aí. Só quero paz na minha favela! E se aquele verme tocar em tu de novo, vou ter que passar ele! - Me arrepio só de imaginar uma coisa dessas. Concordo com a cabeça e saio.
- Que demora! Deu dor de barriga foi? To esperando tem um tempão! - Carol fala me enchendo.
-Foi m*l! - Murmuro fechando o portão. - Ganhei um novo pai! - Revirei os olhos.
- Como é? - Ela me pergunta confusa.
- Esquece! - Falo cortando o assunto. Ela começa a falar da festa na casa do nosso amigo, que vai ser no sábado que vem.
Ao chegar à praça, pedimos cachorro quente e nos sentamos no banco, Carol não para de falar um so segundo, e me divirto tanto com suas besteiras.
- Tem alguém te vigiando ou é impressão minha? - Ela fala com a boca cheia. Olhando em direção ao bar do outro lado. Meu coração gela.
- Quem? - Me viro olhando pro bar. Vejo o Diego olhando em nossa direção, mas meus olhos continuam varrendo o lugar procurando por Francisco. Quando não o vejo, meu coração se acalma.
- O gostoso do Ferrí te secando! - Ela fala com a sobrancelha arqueada.
Tomo um gole do meu refrigerante antes de responder, revirando os olhos. - Ele tá pensando que é meu pai agora! - Bufei.
- Aham tá, pai né? - Ela fala me enchendo. - Ele ainda não desistiu? - Pergunta e eu balanço a cabeça que não, revirando o olho.
- Vai te vencer pelo cansaço. - Sorri.
Alguns amigos da Carol se aproximam, eles se sentam perto da gente e começam a conversar com ela. Algumas vezes até me incluem no assunto, mas como não os conheço, fico trocando mensagens com o Gustavo.
Um tempo depois a gente decide ir embora, descemos conversando descontraídas até parar um carro grande ao nosso lado.
- Entra aí! - Diego fala sem nos olhar.
Sem pensar duas vezes Carol simplesmente entra atrás. Contrariada entro também, sentindo o cheiro do perfume dele que está por todo o carro.
Deixamos a Carol na casa da May. E seguimos em silêncio.
- Achei que tu não ia dormir em casa hoje loirinha! - Fala desdenhoso com a cara fechada, sem me olhar.
- E por que não? - Pergunto confusa.
- Rodeada de vapor. Dando mole pra eles, achei que a noite ia render pra tu! - Fala apertando as mãos no volante.
Olho pra ele incrédula. - Você é inacreditável Diego! - Falo brava, minha vontade era de xingar ele todinho, infelizmente não posso, porque esse i*****l me dá medo, que ódio! Como se ele tivesse alguma coisa a ver com minha vida. Na mesma hora que o carro estaciona, saio pisando duro, com ele atrás de mim.
- Eita mina revoltada da p***a, não pode nem zoar mais! - Ele fala querendo contornar a situação, sei muito bem que não foi brincadeira. - Foi m*l aí, apelona.
- Me erra Diego! - Grito
- Eu não sei não viu! Mas isso dai vai dar namoro com certeza! - Tia Lurdes gargalha da cozinha.
Eu e o Diego fizemos cara de desprezo e reclamamos do comentário dela. Só se fosse em outra vida.
.
Acordo no horário de sempre. Tomo um banho e me arrumo pra escola. Decidi passar rímel e batom hoje. Coloquei uma calça jeans, tênis e o uniforme. Penteei os cabelos e passei um perfume leve.
Quando chego a cozinha, tia Lurdes já está sentada à mesa, tomamos café juntas e eu saio de casa com minha mochila nas costas. Carol dormiu na may e as duas já estão na minha porta esperando eu sair.
- Eai sereia! - Ela adora esse apelido, dizendo ela que um boy que apelidou ela assim. Abraço ela pela cintura e ela beija minha bochecha, mas com uma cara triste. Essa não é minha amiga. Abraço a may falando com ela também e olho bem pra Carol.
- O que foi? - Pergunto preocupada com ela, ao mesmo tempo que vejo Jessica - Vulgo amante do Diego.- saindo da casa dele, que fica em frente a da tia. Ele realmente sonha muito, se acha que vou virar umas das amantes dele né.
A Jessica fala com a gente, sorrio de volta e desço o morro com a May e a Carol. Tentando fazer ela contar pra gente o que aconteceu.
Na escola a manhã se arrastou tediosa e depois das aulas quando estávamos subindo pra casa, resolvi perguntar de novo a Carol o que estava acontecendo com ela. Porque mais uma vez ela vomitou na escola.
- Eu vou no postinho. Mas não deve ser nada. - Fala sem me olhar e a May me encara.
- O que acha de passar ali na farmácia? - Pergunto cautelosa. Ela arregala os olhos.
- Não! - Me corta e sai andando.
- Ah Carol, por que não?- Mayara fala preocupada também.
- Caroline Silva! Você sabe que tem algo de errado! E se você tiver grávida precisa saber logo. - Falo baixo a última frase. Ela não levanta a cabeça pra me olhar, mantém seus olhos no chão enquanto caminha. Ela já suspeitava então.
- Vou fazer um teste. - Fala simplesmente sem me olhar. Seus olhos marejados. Não a pressiono mais, apenas subimos em silêncio, estou preocupada com minha amiga.
Passo a tarde estudando e assistindo com o Ruan. A noite o Diego chega e fala pra Tia Lurdes que vamos jantar fora.
- Bora lá Loirão.Vai se arrumar! Tu vai também! - Fala sem me olhar. Fico decidindo se vou me estressar muito indo nesse bar com eles, mas o Diego me irrita tanto aqui em casa como lá fora, então da no mesmo.
Tomo um banho e penteio meus cabelos. Não sei pra onde vamos então escolho o vestido que a Carol me deu no meu aniversário, ele é branco, de alcinha, bem apertado na cintura e soltinho na parte de baixo, o bojo dele deixa meus s***s bem levantados. Ele é curto mas por ser solto fica adequado. Coloco uma rasteirinha brilhosa e passo delineador, base, e um batom rosinha claro. Me olho no espelho e tenho a impressão de estar simples porem bonita.
Ajudo tia Lurdes a passar uma maquiagem básica, e ela escolhe um vestido azul escuro. Ruan também está bem arrumado e lindinho. De dentro de casa vejo Diego, todo de preto. Ele sorri brincando com o Ruan na garagem.
Passo por ele, e sem olhar sei que me analisa.
- Vamos? - Pergunto a tia Lurdes parada no portão.
Diego não tira nenhuma brincadeira ou me enche o saco. Apenas se aproxima devagar me olhando de um jeito que fico com vergonha.
Não entendi bem sua atitude, porque normalmente ele tiraria alguma brincadeira comigo. Mas ele tá na dele e eu na minha. Não sei por quanto tempo mas esta bom assim.
No caminho já dentro do carro tia Lurdes me conta que o Diego sempre que dá, leva eles pra comer no bar da laje ou no mirante do arvrao. Lá vai muito turista e bacana, sempre tem pagode e parece ser muito animado.
Eu e tia Lurdes conversamos e rimos o caminho todo, e já no restaurante não foi diferente. Eu estava tão feliz, até tomei umas cervejas. O Diego não parava de me olhar daquele jeito. Mas não implicou comigo hoje nem tentou nada. E isso tornou a noite melhor ainda.
É engraçado como o Diego chama atenção de todo tipo de mulher, no bar estava lotado de turista, umas mulheres lindas, tipo patricinhas, e umas até acompanhadas não tiravam o olho do Diego, eu fiquei muito de cara, ainda mais porque ele não deu muita moral pra nenhuma, parecia estar acostumado com essa atenção.
________________________________