II – O BANDIDO GOSTOU DO QUE VIU

1332 Words
DIAS ATUAIS JÚLIA NARRANDO Ao longo desses dois anos, as coisas só pioraram na minha casa. Passo muito mais tempo com a Laura na casa dela, do que na minha própria casa, já que os pais dela vivem viajando. Estou ansiosa para completar meus dezoito anos. O advogado do meu pai me procurou a alguns meses, e me contou que eu tenho uma herança, que eu posso fazer uso assim que completar dezoito anos, e que a minha mãe não sabe. Ele informou que o meu pai havia feito algumas alterações no testamento, quando começou a desconfiar do caso da minha mãe com o Rodrigo. Ele desconfia inclusive que o meu pai infartou por ter descoberto o caso deles, visto que no dia da morte do meu pai, um detetive havia informado a ele que a minha mãe havia entrado no nosso apartamento seguida do Rodrigo, que entrou minutos depois. Meu advogado falou que não tem como provar, pois ela pode alegar que estava em aula já que ele era o personal dela. Eu estou com nojo daqueles dois. Vocês têm noção de que se isso for verdade, o meu pai poderia estar aqui comigo? Por essa dúvida que talvez jamais será esclarecida, foi ficando cada vez mais inviável conviver na mesma casa com a minha mãe e o Rodrigo. Por esse motivo eu quero fazer uso da herança que o meu pai me deixou, para tocar minha vida, investir o valor que é bem alto por sinal, e morar sozinha. Minha mãe, digo a Lívia, continua lá com o alecrim dourado dela. Como pode uma mãe preferir um homem, a sua própria filha? Quero muito ser mãe, e vou ser para o meu filho, ou os meus filhos tudo que a minha mãe não foi para mim. LIVIA NARRANDO A Júlia anda cada vez mais distante, o que para mim é ótimo, Já que eu não tenho paciência nenhuma com aquela garota. Porém, Digamos que eu e o Rodrigo não soubemos administrar muito bem os bens do Marcelo, e por esse motivo, preciso me aproximar da minha "filhinha". O Rodrigo teve uma ideia, e isso pode nos fazer ganhar uma boa grana com ela. RODRIGO NARRANDO O plano é o seguinte: Está vindo um carregamento pesado de armas da Rússia, e eu preciso ter acesso a uma parte delas, para poder negociar com alguns morros do Rio de Janeiro. Essas armas valem uma nota, e isso me faria pagar algumas dúvidas, e voltar a ter muita grana. E eu acabei perdendo também que o que vale muita grana é uma tal patricinha, loira, e de olho azul, gostosa pra c@ralho. Para minha surpresa, falei do meu plano para a Lívia, e acreditem, ela topou. Que tipo de pessoa permite que alguém trafique a sua própria filha? ha ha ha... Mas enfim, o que importa para mim é que ela topou, e meu plano está de pé. Na noite do dia trinta e um de dezembro, levarei a Júlia até um container no porto, e irei trocar a garota pelas armas. JÚLIA NARRANDO Último dia do ano, e eu e a Laura viemos à praia com a galera. Vou ficar um pouco, e depois vou para casa. Minha mãe me ligou e disse que estávamos muito afastadas, e pediu que eu passasse o réveillon com ela, e ainda me chamou de filha. Por mais que eu tenha muitos ressentimentos, e que tenha dúvidas do que realmente aconteceu com o meu pai, eu prefiro acreditar que infelizmente chegou o dia dele, e que ela não tem nada a ver com isso. Afinal de contas, ela é minha mãe, então aceitei passar o réveillon com ela. *** — E aí Julinha, vai vir encontrar a galera na praia depois da queima de fogos? — Meu amigo Pedro perguntou enquanto eu, ele e a Laura estávamos sentados na areia da praia tomando um sol. — Minha mãe pediu para eu passar o réveillon com ela, então não vai rolar. Mas, como estamos de férias, durante a semana a gente vem, antes de começar as aulas da facul. — Sua mãe te chamou? — a Laura perguntou surpresa. — Chamou Best, e ainda me chamou de filha — falei entendendo o semblante de surpresa no rosto dela. A Laura sabe de tudo da minha vida. — Uau, que progresso! Espero que vocês se entendam best — a Laura falou colocando o braço por cima do meu ombro, e me puxando para mais perto dela. Eu, a Laura e o Pedro continuamos conversando, quando eu vi um carro parando, uma garota descendo e indo em direção a areia encontrar algumas pessoas, enquanto que um outro cara meio m*l encarado foi para o outro lado da rua.. O cara que dirigia o carro ficou um tempo ali parado olhando na nossa direção, e parecia que ele estava me encarando. Por um tempo fiquei encarando também, mas logo em seguida fiquei meio envergonhada e baixei a cabeça. O carro deu partida, deixando o cara m*l encarado do outro lado da rua, aparentemente olhando a garota. Depois de um tempo me despedir da galera, e fui para casa. GRINGO NARRANDO Me acordo, faço minha higiene, vou no meu closet e coloco a beca, pego minha draga e coloco um perfume. Nós é bandido, mas anda na estica e cheiroso, sacô? Quando desço as escadas pra ir tomar meu café, encontro minha irmã indo em direção a cozinha. — Acordou cedão porquê pestinha? — Perdi o sono — a pestinha falou se sentando ao meu lado na cozinha. — Queria ir na praia, será que não rola? — Pow pestinha, hoje é o último dia do ano, e vai ter baile aqui no morro. Tenho uns trampo para fazer, e preciso pegar um carregamento hoje a noite. — Eu tenho uns amigos que estão indo para a praia do Leblon. Nunca vou lá, sempre fico por aqui por São Conrado — falou fazendo bico. A pestinha é mala, e é a única pessoa que consegue me dobrar. A Gabi só tem eu, e de certa forma, eu tento suprir a falta dos meus velhos. — Vamos fazer o seguinte, tu sabe que não dá para eu ficar no asfalto por muito tempo — expliquei enquanto montava um sanduíche. — Eu vou levar o PH, e mais dois soldado comigo, te deixo na praia com um deles, e vou com os outros dois ter uma conversinha com um Playboy que tá me dando uma canseira. Tu fica lá uma horinha, mais que isso não dá. A Pestinha ficou felizona, me abraçou e correu para o quarto para vestir o biquíni. Eu tenho um pouco de pena dela, porque ser irmã do chefe não é fácil. Ela não tem nada a vê com essa porr@ toda que eu mexo, mas mesmo assim não pode ter liberdade como qualquer garota da idade dela. *** Eu já tinha chamado o PH, e os dois soldado no radinho, foi quando a pestinha desceu, e a gente foi pro posto 12 (Praia do Leblon). Eu parei meu possante onde a pestinha ia descer para encontrar com a galera dela, enquanto um dos meus soldados foi do outro lado da rua ficar de vigia. Quando eu ia dar partida, avistei uma galera mais na frente, e rapaziada, tinha uma loirinha do cabelão, bem branquinha, de óculos escuro, sentada na areia com outras pessoas. Eu vou jogar a real pra vocês, eu paralisei olhando para a Patricinha. Ela ficou olhando um tempo também, até deu uma baixada no óculos escuro, e eu pude vê os olhinhos bem azuis dela, mas depois ela baixou a cabeça. Deve ser tímida... É das que eu gosto. Eu tava com um sorrisão na cara, o PH se ligou, e claro, não deixou passar: — Qual foi viadinho, quer um lenço? Tá quase babando aí. — Tá me tirando pivete? Só tô apreciando a vista — falei sorrindo e dando partida no meu possante.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD