Capítulo 4

1702 Words
Elizabeth Acordei “milagrosamente” melhor esta manhã. O que deixou o médico bastante satisfeito, em vista da minha situação atual. Não que as coisas fossem boas também. Mas nesse caso, foram boas o bastante para que eu pudesse ter alta e me mandar dessa cama desconfortável e deprimente. Uh-Hu! Estava terminando de me vestir, quando uma batida na porta desviou minha atenção. A blusa estava amassada e um pouco enroscada, então eu não estava conseguindo terminar de vestir. Que cena patética, uma mulher com uma blusa enroscada e empacada acima dos s***s. Eu realmente tenho uma vida ridícula, às vezes. - Entre. – gritei. Minha voz abafada pelo tecido da minha blusa. – Será que você pode me ajudar aqui. Está um pouco enroscada. – continuo. Mãos me ajudam a terminar de vestir a blusa, mas quando estava me virando para agradecer a enfermeira, descobri uma coisa. Não era a enfermeira. Droga! Eu realmente quero morrer agora. Dei de cara com Gabriel. Lindo e perfeito como me lembro. Sinto o rubor subir por meu pescoço, rosto e orelhas. Será que é muito tarde pra querer me jogar da janela e bater a cabeça? Uma amnésia seria ótima agora. - Você está corando. – diz Gabriel sorrindo. - Bem, é que eu pensei que você era a enfermeira. E você me ajudou a desenroscar a minha blusa. Será que essa situação pode ser mais constrangedora? Droga. Sinto o rubor aumentar cada vez mais. Acho que a esta altura do campeonato, já estou roxa. Que vergonha. Por favor, alguém me mate agora. - Não se preocupe. Eu não olhei. – diz. Como se ver meu corpo fosse um problema muito grave. Pff! Que nada. Quero mais é que ele olhe. - Não é por isso. Eu adoraria que você visse meu corpo em outra ocasião e... – paro. Arregalei os olhos diante da minha estupidez recém-adquirida. O que há de errado comigo? Será que meu cérebro virou uma massa inútil? Estúpida boca grande. Vejo que Gabriel se esforça para não rir. Digo que ele está falhando miseravelmente. m*l consegue se conter, oh Deus! Porque tenho que ser tão i****a a maioria do tempo? - É melhor a gente ir. – desconverso. Praticamente fujo porta a fora, não espero mais nada. A mistura de embaraço e ansiedade leva a melhor em mim. Saio quase correndo daquele lugar opressor, que fica me lembrando da minha triste condição. - Vamos. Dou um salto assustada. Como diabos Gabriel já está aqui. Esperava que eu pudesse simplesmente fugir dele, depois de ter sido uma i****a oferecida, seria o mínimo. Juro que naquela hora quis bater minha cabeça na parede. Ainda estava pensando em formas criativas de me punir quando senti suas mãos nas minhas costas, me guiando. Por estranho que pareça, não protestei nem hesitei. Simplesmente o segui. E agora eu entendo que é porque eu confio no Gabriel. Desde o começo, ele mereceu minha confiança. Vamos para o estacionamento e entramos em um carro preto muito bonito. Não sei que tipo é. Nunca entendi nada de carros, não sei a diferença entre um carro normal e um SUV. - Para onde vamos? – pergunto, quando percebo que ele não pediu meu endereço. - Vamos almoçar. – diz. Seguimos o resto do caminho conversando amenidades. Gabriel é uma pessoa muito fácil de falar, ele tem uma atenção incomum nas palavras que eu digo. Isso me deixa altamente confortável. Nem percebo que paramos até que Gabriel desce do carro e vem abrir minha porta. Além de bonito, tem bons modos. Ah! Eu tenho que parar de pensar no quão encantador esse homem pode ser. Seguimos para um pequeno restaurante, não é nada comparado a esses restaurantes finos, é tudo muito simples e aconchegante. As paredes são verdes e brancas, as mesas são de madeira simples e a decoração é discreta. O tipo de lugar onde as famílias podem ter uma refeição feliz. Penso na minha família, e em como eles gostariam de um lugar mais tranquilo, como este de vez em quando. Sinto os olhos lacrimejar, mas tento me controlar. Não quero que Gabriel me veja assim, mas é que às vezes é tão difícil pensar nos meus pais sem chorar. Sinto tanta falta deles. Respiro fundo algumas vezes, acho que posso me segurar um pouco. Quando eu chegar em casa, posso mergulhar à vontade na minha miséria, já que eu sei que não haverá ninguém à minha espera. Triste, mas a pura verdade. - O que houve? – pergunta Gabriel. Nem tinha percebido que ele me observava. Parece perceber o meu descontentamento. Nunca fui muito boa em esconder as emoções. - Nada. Só estava pensando. Vamos sentar. – digo. - Certo. Sentamos e logo somos atendidos pela garçonete, aparentemente eu não sou a única que fica secando Gabriel. Ele é realmente um colírio para os olhos, não importa aonde vá. - Então, você vem muito a este lugar – pergunto. - Sim. Gosto de vir sempre que posso. É um lugar muito acolhedor, eu gosto bastante do clima família. – diz. Continuamos conversando até que a garçonete chegue com nossos pedidos. Pra mim um hambúrguer com fritas e refrigerante, ele também pegou o mesmo, só que o dobro. Um homem grande como ele certamente precisa comer muito. Comemos em silêncio. Pra falar a verdade eu não estava muito disposta a uma conversa, depois de pensar na minha família e tudo que perdi, meu humor ficou um pouco sombrio. Eu até conseguia ver as nuvens negras pairando sobre mim. Comemos e quando fui tentar pagar minha parte, Gabriel não aceitou. Disse que ele tinha convidado. Ele não me convidou, simplesmente me levou para lá. Quase discutimos por causa disso. No fim, ele venceu. Ficou irredutível e não aceitou meu dinheiro. Diabo de homem teimoso. - Então, onde você mora? Ou será que eu vou ter que te deixar jogada por aí, em qualquer lugar. – graceja. - Não sei. Talvez você só devesse me deixar onde me encontrou. Gabriel pensa por um instante, como se realmente estivesse pensando nisso. - Devo ressaltar que eu te achei ensopada, na frente de um pub? - Não! Ora seu... – bato em seu braço. - Ora, vamos. Você parecia um pássaro ensopado. – diz, com ar divertido. - Sério que você vai ficar falando de como eu parecia uma m***a, realmente Gabriel. – não consigo acreditar que ele realmente reparou meu estado. – Você é m*l. - Oh. Você não viu nada. – vejo o brilho divertido em seus olhos. Digo onde moro, conversamos mais um pouco enquanto ele dirige. A expectativa me bate quando penso que, Gabriel vai saber onde moro. Será que ele vai querer entrar. Ou vai me deixar na porta e se mandar o mais rápido possível. Ele não pareceu nada impressionado quando soube em que parte da cidade eu moro. Eu realmente não parei para pensar muito sobre. Gabriel não fez nenhum comentário, apenas deu um sorriso torto, e que sorriso. Eu moro em um condomínio fechado, bastante exclusivo. Você só consegue um lugar se for obscenamente rico, ou alguém desesperado por privacidade e que tem tanto dinheiro como as horas tem segundos. Eu me encaixo nos dois grupos. Controlo o mundo da minha casa, reunião por videoconferência. E outras coisas que minha assistente pessoal cuida. Chegamos ao Condomínio Royal Palace. Até o nome ostenta. São vários prédios de apartamentos, casas em estilo colonial e outras de arquitetura variada. Na portaria, Gabriel para o carro calmamente, e espera que o segurança venha verificar seus documentos. - Bom dia Sr. Trenton. Srta. Banks. – cumprimenta. - Bom dia. - Bom dia, Dante. Como tem passado sua esposa? – pergunta Gabriel. - Bem Senhor. E sua família? – pergunta Dante, com um sorriso caloroso. - Eles estão muito bem. Obrigado Dante, tenha um bom dia. – diz quando recolhe os documentos e entra. Certo. Duas coisas que eu não sabia. Gabriel vem ao Palace com frequência. Talvez ele tenha uma namorada, ou algum parente que mora aqui. Isso quer dizer que provavelmente, eu vou cruzar com ele outra vez. Não sei se fico feliz, nervosa ou incerta com isso. Acho que os três. Deixa-me um pouco desconfortável saber que, provavelmente, ele pode bater na minha porta um dia, só para saber como estou. Mas confesso que eu quero muito isso. Aponto para minha casa. Tipo chalé colonial, dois andares, escandalosamente grande só para uma pessoa. Mas o que posso fazer, é uma casa muito bonita, com piscina, jardim. Algumas paredes de vidro para não perder a vista. Arejada e bonita, acolhedora e segura. Meu porto seguro nos últimos tempos. - O que você está fazendo? – pergunto. Gabriel encosta pelo menos quatro casas abaixo, na frente de uma casa branca um pouco maior que a minha. - Encostando o carro? – questiona. Sério, ele vai estacionar em uma área privada. Eu nem sei quem são meus vizinhos. Eu não quero brigar com ninguém, por causa desse homem lindo. - Você não pode. O dono da casa pode achar r**m. - esclareço. Gabriel me olha com aqueles olhos dolorosamente cinzas e arqueia uma sobrancelha desafiadoramente. d***a, quem pode ser capaz de não olhar. O homem é uma cesta de natal completa ambulante, só esperando ser desembrulhada pelas mãos certas. As minhas mãos. Droga! Que pensamentos são esses. Gemo interiormente e me bato, por que eu não posso ficar pensando estas coisas dele. Eu nem conheço o cara. O que está acontecendo comigo. - Não se preocupe. Vamos. Ok. O cara estaciona em lugares proibidos e nem se importa. Eu realmente não quero brigas com os vizinhos. Eu gosto de morar aqui. - Tem certeza? – pergunto apreensiva. - Sim. Tudo o que ele diz. Caminhamos calmamente, até que chegamos à minha casa. Uma dúvida me vem à mente. - Porque você não parou na frente da minha casa? Gabriel abre um sorriso brilhante, e eu juro que meu coração saltou e meu estômago afundou de uma forma fria e deliciosa. Calma, corpo! Não me faça passar vergonha. Respiro fundo para me recompor, mas não esperava a resposta que ele me deu. - Porque aquela é a minha casa. Puta m***a!
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