Beatriz abre os olhos devagar, seu quarto está completamente escuro. Não consegue definir que horas são, pois seu relógio de cabeceira está em algum lugar no chão do quarto, bem como seu abajur, suas fotos, os cacos de seu espelho e seu coração. Ela mexe a mão enfaixada por Leninha, ainda sente dor, mas não como a que domina seu corpo. Lembra-se perfeitamente de Flávio indo embora, de ter ido para seu quarto e guardado o anel, mas não recorda de como conseguiu quebrar seu espelho e rasgado a mão nos estilhaços. Alguém bate a porta, Bia tem certeza que era Leninha trazendo algo para ela comer. O vulto passa lentamente até chegar à janela, abrindo abruptamente as cortinas. Beatriz põe uma das mãos no rosto, tentando tampar a claridade. A pessoa toca em sua mão a fazendo assustar. Tira a

