Stella Lewis
Já fazia mais de uma hora que eu encarava a tela do computador, o cursor piscando como se zombasse da minha incapacidade de escrever uma única palavra. Mas como eu poderia? Minha mente insistia em vagar até o apartamento ao lado.
Eu queria saber quem ele era. Queria ouvir sua voz e confirmar se era rouca e profunda como nos meus sonhos. Queria sentir o cheiro dele e descobrir se seu perfume era exatamente como eu imaginava, amadeirado, com um toque cítrico que deixava a pele quente.
Soltei um suspiro frustrado e me levantei.
Prendi meu cabelo em um coque malfeito e decidi tomar um banho. Talvez a água fria ajudasse a colocar minha cabeça no lugar e espantasse esse bloqueio criativo.
Depois do banho, vesti um short de moletom com estampa de coelhinhos, que é extremamente confortável e um top confortável antes de ir até a cozinha. Peguei uma garrafa de vinho da geladeira e servi uma taça generosa, sem nem medir. Era merecido.
De volta ao quarto, segui direto para a sacada. Pequena, mas perfeita para mim. Afundei na poltrona e deixei o pôr do sol de Nova York me engolir enquanto saboreava o vinho.
Por alguns minutos, apenas apreciei a vista, até sentir algo... Um arrepio na nuca.
Olhares.
Meu instinto estava certo.
Quando meus olhos buscaram a direção certa, lá estava ele—encostado na sacada do apartamento ao lado, os braços cruzados, uma postura relaxada, mas um olhar que me prendeu.
Hipnotizante.
Verde.
Exatamente como nos meus sonhos. Mas agora... reais.
Ficamos assim por segundos, ou talvez minutos, até que ele quebrou o contato visual e desapareceu para dentro do apartamento, me deixando sozinha com a cidade e um coração acelerado.
Fechei os olhos e me lembrei do último sonho que tive com ele. Meu corpo reagiu no mesmo instante, e um sorriso escapou quando mordi o lábio.
Levantei num impulso e corri para o notebook.
As palavras finalmente começaram a fluir, derramando-se na tela como um rio sem fim.
Passei bons minutos escrevendo, imersa na história, e consegui finalizar cerca de cinco capítulos. A inspiração estava fluindo como há tempos não acontecia. Mas então...
Barulhos.
Estranhos, abafados no começo.
Parei de escrever, franzindo a testa enquanto tentava entender.
Os sons ficaram mais altos.
Gemidös femininos.
E o ranger insistente de uma cama.
Minha boca se abriu em um "O" silencioso.
Que caralhø!
O desgraçado estava transändo. E sem um pingo de preocupação se o prédio inteiro soubesse.
Respirei fundo, tentando manter a racionalidade.
Ok, Stella. Você também transä. Isso não é da sua conta. Ignore.
Coloquei os fones de ouvido e apertei o play em uma música qualquer do Bruno Mars, torcendo para que a voz dele abafasse a putäria acontecendo ao lado.
Mas parecia que estavam ouvindo meus pensamentos e decidiram aumentar o volume.
Os gemidös ficaram mais altos. A cama rangia como se estivesse prestes a desmoronar. Tapas ecoavam entre os sons de präzer.
Tá de sacänagem comigo.
Joguei o notebook para o lado e me levantei com força. Comecei tentando métodos civilizados. Liguei a TV no volume máximo. Não funcionou.
Coloquei uma playlist de rock pesado. Ela gemiä até mais alto.
Tampei os ouvidos com as mãos e fechei os olhos. Mas, sério... Eu ainda ouvia.
Minha paciência foi para o espaço.
Marchei até a parede que dividia nossos apartamentos e dei um soco firme.
BUM.
Nada.
Outro soco.
BUM, BUM.
Os gemidös aumentaram, como se aquilo os incentivasse.
QUE. ÓDIO.
Encostei a testa na parede e cerrei os olhos, respirando fundo.
Eu vou matar esse homem.
E o pior? Parte de mim queria ser a causa desses gemidos.
Chega.
Com passos firmes, saí do meu apartamento, sentindo o calor do ar sair pelas minhas narinas. Eu estava putä. Justo agora que a inspiração estava fluindo.
Bati na porta dele. Nada.
Bati mais forte. Nada.
Mais uma vez, bati com mais força, e dessa vez, quase senti a porta ceder. O silêncio que se seguiu me fez respirar fundo, tentando segurar a raiva que estava quase transbordando.
De repente, ouvi a chave girando na fechadura, e fiz questão de manter a boca fechada, sem deixar escapar o "O" de surpresa.
Quando ele abriu a porta, meu olhar percorreu o corpo dele sem nem pedir licença. Estava sem camisa, com uma toalha enrolada na cintura. Me forcei a desviar os olhos do seu abdômen definido e das tatuagens que cobriam sua pele, mas eu não consegui evitar.
Queria tanto que essa toalha caísse...
Céus, o que eu estou fazendo aqui?
Eu me lembrei do motivo de ter saído do meu apartamento.
— Você pode pedir para sua acompanhante gėmer um pouco mais baixo? — minha voz foi direta, irônica, e não tentei esconder o desconforto.
Ele me olhou de cima a baixo com um sorriso de canto de boca, e algo no meu corpo reagiu. Senti a calcinhä ficar molhada com o olhar dele, como se ele tivesse poder sobre mim com um simples movimento.
— Quer participar? — ele soou sarcástico, porém com uma pontada de malícia, e eu podia ver a diversão nos seus olhos. — Pelo jeito você está um pouco estressada, sabia que gozär faz bem?
Ok, se fosse em outra situação, talvez eu aceitasse a provocação e até participaria do momento. Mas naquele momento, eu estava a um milésimo de pular no pescoço dele. Mesmo assim, respirei fundo, me controlando.
— Agradeço o convite, mas minha vida sexuäl vai muito bem, obrigada. Só te peço que tenha um pouco de bom senso e respeite os vizinhos, alguns de nós trabalhamos de casa! — tentei ser educada, mas minha raiva estava deixando meu coração bater mais rápido.
Ele assentiu, como se tivesse levado a sério o que eu disse.
— Ok, vou pedir para ela ficar em silêncio. — Ele falou e eu assenti, satisfeita.
— Ótimo! — disse, virando nos calcanhares e começando a voltar para o meu apartamento. Mas, antes que eu pudesse entrar, ouvi a voz dele.
— Adorei o short de coelhinhos. É sexy! — Ele comentou, e eu senti meu rosto esquentar instantaneamente.
Com raiva de mim mesma e ainda mais irritada com ele, fechei a porta com um estrondo, sem olhar para trás.