Stella Lewis
As luzes brilhavam em cores como azul, vermelho e verde. Enquanto as batidas da música pulavam dentro de mim, ritmadas com meus batimentos cardíacos. Meu corpo se mexia quase sem controle diante da música, ao meu lado estava Elle, dançando no mesmo ritmo que eu. Meu corpo estava repleto de adrenalina, álcool e nicotina.
Foi então que me senti observada, busquei o olhar ao meu redor, em busca de entender quem me observava. Meus olhos percorreram a casa, lotada de jovens vibrando de energia, até que pousaram em um par de olhos verdes específicos. Um sorriso escapou em meus lábios e caminhei até em sua direção, enquanto mantinha o olhar fixo nele.
— Vai ficar aqui só me observando? — Minha voz soou mais alta do que o normal, por conta da música alta.
— Gosto de ver você dançar — Sua voz grave me fez meu corpo inteiro se arrepiar, principalmente quando ele colou nossos corpos — Principalmente quando você está dançando em cima de mim.
Fechei os olhos, sentindo meu corpo pulsar, principalmente minha intimidadë.
Mas antes que eu pudesse responder, meus lábios foram tomados com ferocidade por ele. Suas mãos seguravam meu rosto com precisão, como se quisesse me prender ali. Enrosquei meus braços ao redor da sua nuca, dando mais intensidade ao nosso beijo.
Ele soltou meu rosto e desceu as mãos pelo meu corpo, pousando elas em minha bundå. E quando ele apertou, senti meu corpo se eletrizar, desde meus pés até minha cabeça.
Eu queria ele, queria ele com urgência.
Seus beijos começaram a descer para o meu pescoço, tombei a cabeça para trás, dando mais espaço para que ele me beijasse. Seus lábios carnudos me mordia, lambia, chupava e eu soltei um gemidö involuntário, sentindo minha calcinhä encharcada.
Em segundos, ele me virou. Senti minhas costas nuäs encostarem na parede fria, mas isso não me incomodava, pois eu queimava por dentro. Queimava por ele, por seu corpo, junto ao meu.
Ele ergueu minha perna, pressionando seu corpo contra o meu. O atrito quente e rígido arrancou um suspiro dos meus lábios, enquanto um choque elétrico percorria cada nervo do meu corpo.
— Stella! Você vai se atrasar, caralhö — uma voz soou distante, mas eu não me importava.
Senti suas mãos descendo em direção a minha entrada e ansiei por esse momento, ansiei por seus dedos.
Mas, novamente, uma voz me chamava.
— Stella! — a voz de Elle estava distante — Porrä, essa desgraçada não acorda.
E então senti um líquido ser despejado em meu rosto, me fazendo acordar assustada. Me levantei em um impulso e olhei assustada para Eleanor que estava na minha frente, com os braços cruzados.
— Putä merdä, Eleanor! — indago, indignada por ter sido acordada na melhor parte do sonho.
— Você me disse para te acordar, que hoje tinha uma reunião importante na Catapult.
Merdä. Merdä. Merdä.
Esqueci da reunião.
Pulei da cama num sobressalto, peguei minha toalha e corri para o banheiro. Arranquei a roupa, largando-a no chão sem pensar duas vezes, e me enfiei debaixo do chuveiro.
Hoje era um dia importante. Meu assessor e eu apresentaríamos a proposta do meu novo livro, Segredos e Desejos. Depois de ter aparecido no ranking de melhores escritores do ano, a editora queria me manter no topo. E qualquer deslize? Poderia me fazer despencar direto para o esquecimento.
E isso com certeza não fazia parte dos meus planos.
Mas esses malditos sonhos... Eles não me deixavam em paz. Quase todas as noites, sem falhar, aquele homem misterioso surgia. Olhos verdes intensos, cabelos castanhos e uma tatuagem hipnotizante: uma caveira na mão que, ao ser aberta sobre o rosto, se encaixava perfeitamente, completando sua expressão.
E, obviamente, eu usei esse tentador de sonhos como inspiração para o meu novo livro. Como poderia não usar?
Mandei o esboço para meu assessor, Christian, e ele super aprovou a ideia, dizendo que minha criatividade às vezes o assustava. Porém dessa vez, a inspiração veio através de sonhos.
Há cerca de três anos conheci Christian. Eu era uma escritora independente, o que dificultava muito o meu crescimento, porém, tentava me manter esperançosa. E com Christian, fui crescendo no mundo literário.
Meus livros eram de romance, mas não romances quaisquer. Eram romances sombrios, tentadores, proibidos e com certeza macabros.
Dark Romance é e sempre será meu lance. É a minha essência.
Além do mais, a última coisa que eu sou nessa vida é uma pessoa normal. Então por que eu escreveria sobre a normalidade, se ela não me habitava?
Atualmente, tenho mais de seis livros publicados através da Catapult, e me tornei um sucesso no mundo literário. E isso era somente o começo.
Saí do banheiro e corri para o quarto. Peguei o celular: 7h50. A reunião estava marcada para 8h30. Ou seja, a chance de eu me atrasar era enorme.
Vesti as primeiras peças que encontrei: uma calça jeans de cintura baixa, justa no corpo, e uma regata preta. Completei com uma jaqueta jeans da mesma cor e um salto preto. Prendi meu cabelo preto em um räbo de cavalo alto, coloquei alguns acessórios e corri até a penteadeira.
Fiz uma maquiagem rápida, apenas intensificando o delineado e passando lápis preto na linha d’água para destacar meus olhos castanhos. Nos lábios, só um gloss transparente. Peguei minha bolsa e saí do quarto, encontrando Sam e Elle tomando café.
— Uau, que gostosä! — Sam comentou, sorrindo. Joguei um beijo para ela.
— Essa é a cara de uma vädia que vai fechar um contrato föda hoje! — Elle disse, nos fazendo rir.
— Amém, irmã! — Peguei uma torrada e passei geleia de morango. — Beijos, beijos! Me desejem sorte.
— Boa sorte! — disseram em uníssono.
Saí do apartamento com o coração acelerado. Na garagem, entrei no meu carro e deixei o estacionamento. O prédio da Catapult ficava em Manhattan, e eu já sabia que o trânsito não ia ajudar.
Mäl tinha saído do Brooklyn quando o celular vibrou. O nome na tela do carro me fez praguejar.
Christian.
— Merdä...
Já eram 8h10, e eu ainda estava longe.