Após a morte de Jorah, a tribo que agora era imensa vivia seu melhor momento, Com Selim preso, os outros herdeiros de sangue puderam se reunir, e juntos retomaram a cidade antiga e o castelo de onde seus antepassados haviam fugido.
Jandah e Lira filhos de Jorah governavam ao lado de seus companheiros com sabedoria e justiça.
Ninguém sabia que Selim havia fugido de sua jaula, com Jorah também morrera a localização de onde ele estava.
Jandah tinha quarenta anos quando seu pai morreu, estava casado e tinha dois filhos homens, nenhum herdou o sangue dele, ambos nasceram com olhos normais e sem dom algum, Lira sua irmã deu a luz a dois filhos com olhos violetas, se Jandah não tivesse um filho com dons, seus sobrinhos seriam nomeados reis após sua morte.
Lira continuava boa e pura e seus filhos cresceram justos e honestos, já os meninos de Jandah herdaram o sangue duvidoso da mãe, ela usara de artifícios para conseguir casar com ele, ele honesto teve de ceder.
Jandah não era feliz, sua esposa o atormentava com questões bobas e ele não conseguia sequer olhar nos olhos dela, quem dirá deitar ao seu lado e fazer outro filho.
Revoltada ela ameaçou pular de um abismo junto com os filhos caso seu marido não lhe desse o valor merecido, ele não acreditava nela, já conhecia bem seus modos perversos de conseguir o que queria, e seus filhos agiam com igual maldade.
Um dia Lira passeava pelas margens do rio e viu a esposa de seu irmão com outro homem, um homem comum, Lira escondeu-se e ouviu atenta o que diziam.
__ Ele não pode saber, nunca saberá, é um t**o arrogante, eu sou sua rainha e nada pode fazer quanto a isso, dei dois filhos a ele.
__ Samira, ele pode descobrir que eles não são filhos dele.
__ Não poderá, eu fiz tudo direito, só quem pode lhe dizer a verdade é você, você dirá?
__ Nunca jamais, mas ainda acho que devemos fugir juntos, com nossos filhos.
__ E o que você poderá nos dar? Eu não vou acabar minha vida lavando e cozinhando pra você, pior, cuidando de crianças.
__ É melhor do que ser enforcada, meu amor vamos embora, eu imploro.
Lira estava estupefata ouvindo a conversa daqueles dois, ele tinha razão, ela será enforcada. Lira correu para contar a verdade ao irmão, ele poderia se livrar daquela mulher perversa.
No Palácio procurou seu irmão ansiosa por dizer -lhe as novas, mas ele estava em reunião com os anciãos.
Lira pôs -se a andar de um lado para o outro em frente à sala, e não sabe quanto tempo ficou ali, mas ouviu um farfalhar e logo os anciãos saíram um a um.
Ela aguardou que todos partissem, e entrou na sala.
__ Irmão, preciso falar-te algo, é grave, mas é também maravilhoso.
__ O que dizes, minha irmã? algo grave e maravilhoso? acaso existe algo assim?
__ Bom, infelizmente quero dizer que vossa honra foi manchada e terás que reconquista-la derramando sangue.
__ Estas me assustando Lira, o que houve?
__ Vossa esposa, te engana com outro homem as margens do rio. Ela se deita com ele e já não é de hoje.
__ Tens certeza?
__ Eu mesma vi, com meus olhos e jamais mentiria sobre algo tão sério.
__ O que as leis dizem sobre adultério?
__ Que a mulher adúltera, deverá ser enforcada caso tenha se deitado mais de uma vez com um homem, ou com mais de um, que deve ser chicoteada e expulsa da vida em comunidade, sendo destituída de todos os seus bens materiais.
__ É quanto a um homem?
__ Não existem leis para punir homens infiéis.
__ É achas justo isso?
__ Não, não acho, mas vejo aqui a oportunidade de se veres livre daquela cobra e de arrumar uma esposa que tu mereça, além de que há algo mais.
__ Ela não tem só um caso? O que pode ser pior?
__ Os filhos dela, são deste homem, não seus, eu ouvi ela dizer, isso explica por que nenhum tem o sangue.
Dessa vez Jandah, levantou-se da mesa, em seus olhos a fúria reinava, virou -se para a irmã.
__ Já entendi, vieste aqui levantar falso contra ela, se eu não tiver filhos os seus herdam o trono, então é isso minha irmã, jamais esperaria isso de você.
Lira também levantou confusa, por que o irmão acharia isso dela? Por acaso ele não a conhece a tanto tempo?
__ Por quem me tomas Jan? Sou eu vossa irmã, me conhece desde que vim ao mundo, achas mesmo que eu faria tal coisa?
Jandah, já mais calmo, sentou -se e levou a mão a cabeça, pensando no que Lira acabou de falar.
__ Me perdoe eu não quis, é só que o que falaste tomou meu rumo, não sei o que dizer ou pensar.
__ Olhai para mim, querido irmão, leia meus pensamentos, veja o que eu vi, e saiba minhas intenções.
Assim ele fez, viu e ouviu o que a irmã viu antes, caiu ao chão chorando, pois apesar de tudo amava os filhos, mesmo ele sendo tão distantes e malignos como a mãe.
Lira aproximou -se dele, e o abraçou.
__ Não precisas meu irmão, matar a mãe deles, podes manda-la embora com o amante e alegar aos anciãos que não podia deixar as crianças desamparadas.
__ Eu, não sei o que fazer Lira.
__ Deixe em minhas mãos, eu farei isso por ti.
__ Agora levante e pense, sem ela, você poderá casar novamente, com uma moça certa dessa vez, poderá ter filhos legítimos, herdeiros do trono.
__ Oh minha irmã como podes ser tão boa para mim? mesmo eu duvidando de ti? agradecido serei por toda a eternidade.
__ Vamos deixe de maluquices e vamos embora daqui, temos muito o que fazer. E deixe comigo, não fale nada a sua esposa, vou reunir todos na praça agora mesmo.
Lira convocou os anciãos e a todos os nobres dali, aqueles que espalhariam as novidades.
O mestre ancião estava impaciente acabaram de sair de um ciclo do Conselho e agora era convocado a praça, estava cansado demais para aquelas coisas de jovens, mas um chamado do rei era irrecusável.
Quando todos já estavam reunidos Lira se pôs ao lado do irmão, e colocou a esposa dele a sua frente, mandou homens prenderem o amante dela e deu ordem que o trouxessem quando fosse ordenado.
__ Então criança, fale logo o que deseja de nós, para que todo esse alvoroço?
__ Eu falarei.
Disse Lira com seriedade, buscando as palavras certas para começar seu discurso.
__ Bom, quero primeiro pedir aos senhores que respeitem e acatem a decisão de nosso soberano, descobrimos com ajuda de ancestrais e testemunhas, tendo eu mesma como uma delas que está mulher aqui presente, conhecida como nossa rainha, tem sido infiel ao rei, e que a muito vem o enganando, ela tem um amante, desde muito antes do casamento, e ambos os filhos dela são filhos desse amante, não de meu irmão.
Um murmúrio correu por toda a praça, a acusada se viu acuada e quis negar as acusações.
__ É mentira, eu nunca faria isso, meu amado rei bem sabe que é o único homem que tive. Jandah diga a eles .
Mas Jandah estava tão envergonhado que m*l podia erguer seu olhar, todos olharam para o rei esperando sua resposta, mas ele manteve-se em silêncio. Dando a Lira a palavra novamente.
__ Por acaso os senhores me conhecem desde antes de eu nascer, sabem quem era meu pai e minha mãe, sabem da minha índole e do meu caráter, acham que eu Lira filha de Jorah o rei que libertou-nos de Selim o mago, acusaria alguém em vão, diante dos anciãos, do rei e dos nossos ancestrais?
Um coro ecoou por toda a parte de não, jamais, nunca. Satisfeita ela encarou a acusada e continuou
__ Está mulher todos sabem quem é, chegou aqui com seu pai e seu irmão, ambos trabalhadores e honestos, mas ela forjou uma noite que não existiu com meu irmão para força-lo a casar pela honra, todos sabem que assim foi, e nem honra ela tinha mais, meus pais consentiram esse casamento, mesmo Jandah não amando ela, logo ela apareceu grávida, e depois de novo, nosso rei a respeitou, cuidou dela e dos filhos com amor e honra, em troca recebeu mentiras e traições, ele está ainda descrente do que descobrimos, mas sua alma é tão nobre que não quer ver esta aí executada, apenas pede a anulação de suas bodas e ordena que ela e seu amante sejam exilados para sempre, se forem vistos por aqui serão enforcados.
__ Mas meu rei, minha senhora, o certo é que ela pague a honra com sangue.
Jandah não aguentava mais aquele circo, então ergueu-se e disse
__ Já chega, a honra é minha e a lavarei como eu quiser, não deixarei duas crianças inocentes sem mãe, me julguem se quiserem, mas ela pagará diante dos deuses e dos ancestrais, tirem ela daqui junto com o amante, mas não maltratem eles na frente das crianças, deixem que peguem comida e levem peles e lonas para tendas, não deixarei meus, os filhos dela ao relento, são inocentes.
__ Como quiser meu rei.
Uma semana depois que ela partiu, as falações acabaram e Lira já arranjava encontros do irmão com as amigas dela.
Em uma noite estrelada, Jandah caminhava pelo jardim quando ouviu um lamento baixo, curioso se aproximou para ouvir melhor.
__ Quem está aí? não se aproxime ou o mato.
Uma moça saltou de uma moita armada com um pequeno e fino graveto, Jandah não podia ter outra reação se não rir as gargalhadas. Ela se sentiu ofendida e resmungo alguma coisa que ele não ouviu.
__ Mil perdões minha senhora, mas presumo que sua arma fatal não vá me fazer tanto dano quanto imagina.
Ela olhou para as mãos e largou o graveto desconcertada, tornou a abaixar-se e pegou uma faca de osso e pedra, ela era muito bonita, seus olhos eram rosas e violetas como os de seu pai Jorah, sua boca era pequena e muito bem feita, os cabelos eram da cor da palha do milho quando seca, era baixa, mas seu corpo esguio lhe conferia um ar altivo.
Jandah sentiu seu coração acelerar, aquela moça era diferente de todas as que ele já viu, seus olhos se encontraram e algo aconteceu, nenhum conseguia desprender o olhar.
__ Acho melhor guardar sua faça, senhora, isso não é modo de agir.
__ Siga seu caminho senhor, não farei m*l algum a vossa pessoa.
__ Deixe-me ajudar, ouvi seu lamento, o que faz aqui escondida a essa hora uma moça tão... É, tão sozinha.
Ela deve ter percebido porque deu um leve sorriso e baixou a arma.
__ Você não deve conversar muito com mulheres não é?
__ Você está perdida? nunca a vi por aqui.
__ Eu moro nas fazendas de trigo, vim até aqui para falar com o rei, saqueadores atacaram minha família, meus pais e meus irmãos menores estão vindo pela estrada até aqui, eu cheguei antes a cavalo, preciso pedir ajuda ao rei, eles tomaram minha casa, não temos para onde ir.
__ Não se preocupe, eu cuidarei disso. Sua família ainda está longe?
__ Devem estar passando pela ponte de pedra agora, apenas um burro e um cavalo puxam a carroça. Por favor me leve até o rei, ou a alguém que nos ajude.
__ Como se chama?
__ Eu me chamo Aline, e você gentil senhor?
__ Eu sou Jandah!.
Ela abriu a boca, e caiu de joelhos aos pés dele
__ Perdoe está serva ignorante a sua frente, meu rei, eu não sabia, não devia.
__ Levante-se minha donzela, não se preocupe com isso agora, me siga vamos buscar alguns cavaleiros para escoltar sua família.
Jandah escolheu seis de seus melhores cavalheiros e mandou cavalos a mais com eles para puxar a carroça, logo chegaram até os pais da jovem Aline que foram escoltados até o castelo onde o rei e a filha aguardavam.
Os pais dela eram velhos e traziam consigo dois jovens rapazes e duas meninas menores, contaram que na verdade eram avós deles, que os pais morreram de febre. Jandah não tirava os olhos de Aline e m*l prestava atenção no que ouvia.
Ordenou que dessem uma casa a eles, comida e que uma guarnição fosse até a Fazenda recuperar a propriedade, enquanto eles descansavam.
Jandah estava encantado com aquela bela moça que conheceu, quis saber mais sobre ela, e para isso consultou os anciãos, e pediu que sua irmã se aproximasse dela, para ver se era mesmo uma boa pessoa.
Aline era uma jovem alegre e bela, rejeitara muitas propostas de casamento, não queria ser só uma fina de casa como as outras, queria lutar, caçar e ajudar a proteger o reino, mas quando ela conheceu o rei, seu coração bateu mais forte e ela quis ser algo a mais, soube que era com ele que teria de ficar, mas será que um rei, casaria com ela?
Jandah ficou muito feliz quando soube que os anciãos e sua irmã apoiariam sua união, chamou os pais dela até seu castelo e a pediu em casamento, eles ficaram surpresos, porém o pai dela disse
__ Estamos lisonjeados com seu pedido rei, porém já lhe aviso que Aline já recusou muitos pedidos, ela não tem pretensão de casar, eu não obrigaria minha filha a fazer nada que não queira, eu sei que os costumes são esses, mas eu não o farei, terá que pedir a ela própria.
Jandah estranhou aquelas palavras não era comum que as moças tivessem voz na hora de escolher seus casamentos, é claro que uma ou outra tinham sorte de serem pedidas por quem desejam.
__ Que assim seja, tragam Aline até aqui.
Quando a moça chegou, viu seus pais já ali, achou que seriam mandados de volta para a Fazenda, mas então Jandah falou
__ Minha querida donzela, acabo de ter vossa mão recusada pelos vossos pais, eles dizem que não desejas casar, e que apenas tu podes me responder com certeza. Então vós faço a pergunta novamente, Desejas tu, querida donzela, ser minha rainha, e lutar e proteger nosso povo ao meu lado?
Aline arregalou os olhos de espanto.
__ Oh, o que dizes meu rei? m*l me conheces, sou apenas uma humilde roceira, não sou digna de vossa graça.
__ És tão digna quanto qualquer outra, agora responda.
__Como poderia eu negar vosso pedido meu senhor, é claro que eu aceito.
Os pais dela a olharam desconfiados, mas souberam que era mesmo o que ela queria, não era por medo, nem estava sendo obrigada. Ficaram felizes a filha enfim encontraria seu caminho.
Os dois casaram um mês depois, e Jandah nunca foi tão feliz na vida, Aline era o oposto da outra, era doce, carinhosa e gostava de deitar-se com ele todas as noites, se entregava com tanta paixão que Jandah passava o dia pensando em seu corpo e em sua companhia, não chegava a seu quarto e já se amavam até cansar.
Um ano depois do casamento Aline deu a luz a uma linda menina, quando a parteira chamou Jandah e lhe entregou sua filha, seus olhos encheram de lágrimas, ela parecia tanto com sua mãe Melissandre, quando ela abriu os olhos um brilho rosa intenso expandiu a sua volta, ela nasceu com dons, Jandah tinha olhos violetas, mas não tinha dom algum ao contrário de sua irmã que possuía o dom da atração e de ler mentes. Mas sua filha tinha dons o brilho era o sinal disso, ele beijou sua esposa e a agradeceu por esta benção. Levou a criança até a varanda, lá embaixo toda a tribo aguardava como era de costume para conhecer o herdeiro do rei, ele ergueu a menina e gritou
__ Está é minha primogênita, seu nome será Amália, pois é doce e linda como a própria flor, seus olhos são rosa, é brilham intensamente, ela tem o dom, vejam sua futura rainha e a saúdem.
Jandah virou a filha para o povo e o brilho dos olhos dela foi visto por todos, que se ajoelharam diante de sua princesa desejando-lhe, saúde, paz, beleza, é sabedoria.
Jandah era o homem mais feliz do mundo, Aline estava orgulhosa de si, por fazer o rei tão feliz e por ter dado um herdeiro de sangue a ele, ela também tinha os olhos, mas não tinha poderes.
Amália crescia linda, podia ouvir os ancestrais como seu avô Jorah, curava animaizinhos, voava, e fazia magia com os elementos naturais. Jandah ficava cada dia mais orgulhoso da filha, quando ela fez quinze anos, já haviam filas de pretendentes a sua mão, mas Jandah não queria força-la a nada, assim como sua mãe não foi forçada, Jandah e Aline tiveram mais dois filhos homens, os dois tinham os olhos violetas, mas nenhum possuía dons, eram rapazes bons e esforçados.
O ano era 1638 quando Amália fez vinte anos, então conheceu Felício, um jovem rapaz que não possuía dom algum, mas era bom e gentil com ela e Com todos,
decidiu que seria ele seu marido, falou com os pais e pediu que consentissem.
Um ano depois de casar Amália engravidou, seu primeiro filho nasceu repleto de poder, nem Jorah o iluminado tinha tanta luz quanto ele, seus olhos eram violetas, mas o fundo era rosa, ele irradiava luz por todos os poros, quando chorou a terra tremeu, e os ventos sopraram tão forte que todos tiveram que correr para dentro de suas casas
Jandah e Lira olharam para a criança com a certeza de que ele era o rei escolhido, o rei da profecia antiga, aquele que seria capaz de derrotar de vez Selim o mago, que ressurgiu e aterrorizava o povo novamente.
Quando jandah morreu seu bisneto Florence tinha cinco anos de idade, é já possuía um poder imenso.
Amália reinava com justiça e sabedoria ao lado do marido e com ajuda dos irmãos.
Mas um dia Paladinos vestidos de n***o começaram a invadir as vilas menores onde haviam herdeiros de sangue, eles queimavam as vilas, matavam todos aqueles que tinham olhos coloridos e prendiam as crianças como escravas, as notícias chegaram até a rainha Amália, os paladinos estavam ainda longe de sua cidade mas chegariam até eles, ela então pediu ajuda aos ancestrais, durante um dia inteiro ela esteve em transe, seu marido e os anciãos já estavam preocupados, quando ela abriu os olhos.
__ Já sei o que fazer, reúnam todos do povo que tenham o sangue, querido irmão preciso de sua ajuda, vá até a floresta e pegue toda a erva de Salgueiro que encontrar, leve quantos bens for preciso vá agora, não temos tempo.
Quando todos estavam reunidos Amália deu a eles as ervas de Salgueiro, e um odre com o chá da erva já feito.
__ Bebam meus irmãos, este chá irá disfarçar a cor de nossos olhos os ancestrais me disseram, precisamos tomar todos os dias, quando o sol nascer e quando o crepúsculo chegar.
Ela bebeu de seu odre e fez Florence beber também, todos imitaram seu gesto, logo seus olhos ganharam, tons de azul, verde, castanho, cores normais.
__ Isso não durará para sempre, temos que seguir a risca as ordens dos ancestrais, bebam e sempre levem consigo o odre cheio, caso precisem de mais, quando os assassinos chegarem não vão nos tomar por magos e partirão .
Uma semana depois os paladinos negros chegaram a cidade, os soldados eram rudes e brutos, tratavam a todos com desprezo e faziam e pegavam o que queriam.
O Sacerdote foi levado a presença de Amália.
__ Então você é a rainha? seu povo está aqui escondido por que?
__ Nos estamos aqui há muito tempo já, meu senhor, nossos antepassados foram donos dessas terras antes de nós, e aqui permaneceremos até nosso fim.
__ Seu povo por acaso não tem olhos violetas e lançam magia por aí?
__ Ande por aí meu senhor, acaso vê alguém assim entre nós?
__ Não, não vejo, mas também não vejo nenhum símbolo de Deus ou da igreja.
__ Perdoe nossa ignorância, mas estamos aqui seguindo as tradições de nossas gerações passadas, não sabemos nada sobre igrejas e Deus algum.
__ Entendo suas palavras, mas se eu fosse você tomaria cuidado, todos os inimigos da igreja são considerados culpados.
__ Não pode culpar a mim e a meu povo por não sabermos do que fala, afinal estamos aqui, vivendo em nosso mundo desde o início dos tempos, e sós vós os primeiros homens da Igreja a virem aqui.
__ Podemos pernoitar em sua cidade? Poderia oferecer esteiras e comida aos servos do único Deus que existe? Rainha dos ateus.
__ É claro, fique a vontade. As refeições serão enviadas a vocês, tem um acampamento mais a frente que só é usado em cerimônias de casamento, mandarei para lá As esteiras e a comida.
O Sacerdote não gostou da sabedoria de Amália e do modo gentil que foi tratado, esperava queimar aquele lugar como todos os outros, mas nada poderia fazer sem um motivo, o papa não permitiria, e ela tinha razão em suas palavras.
Se dirigiu ao acampamento com seus homens malignos, lá encontraram esteiras, peles e comida e vinho, também lenha para fazerem uma fogueira e carne de carneiro para ser assada, os soldados ficaram agradecidos.
Amália mandou seus melhores homens ficarem de vigia, caso eles mudassem de ideia, ou tentassem atacar a cidade.
Mas no dia seguinte eles seguiram seu rumo.
As notícias eram aterrorizantes, Selim o mago se recuperou e agora caçava e matava a todos os seus, tomado por um ódio ainda maior, caçava ainda o perfume de Lira, mas seu perfume já não existia, Amália estava preparada para enfrenta-lo se fosse preciso, ela e Florence eram os últimos com dons pelo que ela sabia, Selim os caçaria até encontrar.
Não bastasse isso, os paladinos negros continuavam sua expedição, vez ou outra matavam um de seu povo, que se descuidada e deixava os olhos a mostra.
No dia que Florence fez vinte primaveras, os paladinos negros chegaram sem avisar, todos estavam comemorando o aniversário do seu jovem rei, e nenhum lembrou -se do chá.
Quando os paladinos viram seus olhos brilhantes e coloridos, não pensaram duas vezes, ergueram suas espadas e mataram a todos um por um, Amalia vendo aquilo lançou uma cortina de fumaça sobre todos, com a ajuda de Florence tirou tantos quanto pôde do seu povo dali. cinquenta pessoas ao todo fugiram da cidade que agora queimava.
Amália não conseguiu salvar seu marido, Florence chorava a perda de seus amigos, de seu pai e de sua família.
__ O que faremos mãe?
__ O que sempre fizemos meu filho, vamos nos esconder, reerguer nosso povo e lutar contra eles e contra Selim.
Florence assentiu e correu em busca de um local seguro, a uns cem quilômetros encontrou uma caverna, guiou o que restou de seu povo até lá. Alguns outros que fugiram os encontravam pelos rastros e pistas que deixavam.
Quando passou três dias quase cem dos seus estavam ali.
__ Devemos partir da Grécia o mais rápido possível. Temos que ganhar força contra Selim.
__ Para onde iremos?
__ Os ancestrais nos mostrarão, iremos para um lugar chamado Brasil, lá encontraremos mais dos nossos.
Amália, Florence e os outros seguiram seu caminho, levaram o resto de erva que restou e tomavam para que ninguém soubesse quem eram, embarcaram em um navio e partiram fugindo para o tal Brasil .
Quase um mês depois chegaram, o lugar era bonito, uma imensa floresta verde, cheia de animais selvagens e diferentes, Florence gostou do lugar, correu para explorar, e ficou admirado com o que viu, haviam pessoas marrons que andavam nuas em algumas partes, alguns tinham olhos como os de seu povo, mas ele não se deixou ver, escolheu o melhor lugar para o acampamento de seu povo, uma caverna no alto de uma montanha, de lá poderiam ver quase tudo, e ficava bem no meio da floresta, nenhum paladino iria atrás deles ali.
Montaram seu acampamento ali , Florence corria com o vento espalhando sinais de seus antepassados, para que quem visse fosse até eles.
Ali na floresta ficaram por quase um ano, até que Selim encontrou o povo marrom, ele queimou metade da floresta para caça-los, expondo assim o acampamento, Florence lançou um feitiço de disfarce sobre eles, Selim se foi levando alguns do povo marrom consigo, ele não era mais poderoso igual antes, eram raros os com dons, e eram eles que alimentavam o poder de Selim.
Florence baixou a guarda por uns dias para que se houvesse algum sobrevivente chegasse até ele, as ervas acabaram e seus olhos agora eram visíveis.
Mas quem os encontrou não foi nenhum dos marrons, foram paladinos negros, chegaram a noite em silêncio, mataram os homens de guarda, e todos que encontravam com ou sem olhos coloridos, Florence estava caçando, quando viu uma fumaça se erguendo da direção do acampamento, correu de volta para lá, e viu os paladinos matando seus irmãos, a tenda dele e da mãe era mais longe dali, correu até lá, a mãe estava amarrada na tenda, e alguns soldados a batiam, ele sentiu raiva e partiu pra cima deles, derrubou dois, mas chegaram outros e o seguraram, ele tentou voar, tentou usar seus poderes mas nada acontecia, viu quando atearam fogo no corpo da mãe, e quando tudo queimou, ela não gritou, em seus pensamentos ela lhe disse.
__ Eu não estou ali filho, agora fuja, me vingue, vingue seu povo.
Florence olhou novamente para o corpo da mãe em chamas e gritou, seus olhos brilharam intensamente, a floresta tremeu, e ele se ergueu do solo levando consigo os soldados que o seguravam, um buraco abriu na terra cheio de fogo derretido, Florence puxou um a um os paladinos com seus poderes e os jogou lá dentro, logo não havia mais nenhum, o resto de seu povo o olhava, ele desceu ao chão fechando a f***a, colocou as mãos no chão e lágrimas correram de seus olhos, cada lágrima que caia no solo, dava lugar a uma árvore.
o povo caiu de joelhos e aclamou o nome de Florence, não restava ali mais de cinquenta pessoas, alguns do povo marrom se juntaram a eles quando viram o que aconteceu, Florence estava atormentado, ainda ouvia os pensamentos da mãe, e dos paladinos na sua cabeça, não podia se deixar vencer pela dor, a mãe lhe disse pra vinga-la e ele iria.
Guiou seu povo para outro lugar, depois de dias andando, encontrou duas montanhas geladas, uma de frente para a outra, o lugar era de difícil acesso, seria impossível alguém chegar lá sem ser visto, então ele disse ao seu povo que ali seria seu lar.
O povo questionou, ali não tinha floresta para caçar e pegar madeira seca, não tinha rios, o que fariam ali? Florence estava cansado demais para discutir, voou entre as montanhas e soprou no meio delas, fios de luz coloridos caiam, e logo no lugar do gelo, árvores, grama, e plantações de trigo, milho, arroz, mandioca, nasceram, o povo olhava admirado com o poder de Florence.
Mais a frente por trás das montanhas Florence pisou o solo e um bosque igual ao que tinha no castelo na sua infância cresceu, até a fonte e o Rio estavam lá, ali seria o local de paz dele.
__ O que esperam andem, montam suas tendas, façam as fogueiras de cozinhar e descansem.
Florence lançou outro feitiço ali naquele vale, ninguém poderá entrar sem sua permissão, nem humano, nem mágico. Ele cuidara do que restou de seu povo, e nunca mais homem algum o ameaçaria.