Parte 4...
Poderia até dizer que isso era uma piada de mau gosto.
E é claro que isso só poderia acontecer com ela. Quando contasse aos irmãos com certeza iriam rir e depois reclamar por ela não ter pedido ajuda em troca.
Até que ela era uma pessoa positiva, apesar de tudo o que já tinha passado na vida, mesmo jovem como era. Só que de vez em quando ficava desanimada com a demora em algumas coisas para aconter.
Estava acostumada a esperar o momento de cada coisa acontecer, mas isso não queria dizer que ficava tranquila sempre. Já tinha imaginado tantas coisas boas para ela e os irmãos, mas elas aconteciam devagar e nem sempre da mesma forma como planejara.
Mas continuava positiva. Fazer o que?
Quando era mais jovem, até tinha muitos sonhos, mas muitos foram ficando pelo caminho diante das dificuldades e escolhas que precisava fazer. Chegava a sonhar acordada com coisas que queria realizar e ter, mas com o tempo e com as obrigações exigindo muito, isso foi ficando sempre para depois e algumas foram ficando esquecidas.
De vez em quando ela ainda tinha algum tipo de desejo ou sonho para realizar e se fosse com calma, acabava conseguindo o que ajudava a amenizar um pouco a dificuldade da vida.
Não podia reclamar de seu último ano. Tinha sido muito bom com relação ao trabalho e também em casa. Tinha aprendido a ser paciente com a vida e com os rumos que ela criava.
Gostava de ficar atenta ao que ocorria em volta para não perder uma boa oportunidade quando ela aparecia e sempre dizia o mesmo aos irmãos.
O vento soprou mais forte e ela se arrepiou de frio. Suspirando ajeitou o capuz sobre a cabeça e cruzou os braços para se esquentar e continuou seu caminho solitário até chegar em casa, apressando o passo.
********
Gustavo deu uma olhada na garota ao seu lado. Balançou a cabeça ao ouvir sua conversa boba que não mudou desde que saíram do atoleiro lá atrás.
Margô era muito bonita, sem dúvida nenhuma e fazia questão de mostrar isso, não só para ele, mas no momento estava sem paciência para flertes e conversas bobinhas de futilidades. Ainda mais depois de ter que fazer um esforço pesado pra retirar o carro do atoleiro de neve.
Suas costas doíam mais agora e o estavam matando. Ele queria chegar logo ao hotel para poder tomar seus remédios e um bom banho quente para ajudar a relaxar e deitar em sua cama. Queria dormir o resto da noite e não ficar ouvindo bobagens sobre artistas e fofocas sobre os moradores da cidade.
Ele já estava saindo quando ela chegou apressada ao seu lado e lhe pediu que a levasse em casa.
Tudo o que queria era voltar para o hotel e descansar, mas não queria ser m*l educado e depois da conversa melosa dela, ofereceu levá-la, mas não queria perder tempo com sua paquera.
Ele sabia bem o que ela esperava dele, mas não estava ali para isso e nem estava com humor nessa noite.
Quando aceitou o convite dela para sair, não achou que a garota fosse tão fútil e que seus amigos seriam iguais. Logo que a viram com ele já começaram as perguntas bobas.
Ele até aproveitou a festinha para observar as pessoas e conehcer alguns moradores do lugar. Conversou um pouco com eles, perguntando sobre como era morar em torres, seu comércio, o que faziam para movimentar o lugar e outras perguntas básicas para ajudar a decidir se ficaria ou não morando ali por um tempo.
A chance de ir embora surgiu e ele se despediu do grupo que conversava, mas Margô o viu se afastar e foi logo correndo, entrando no carro e fazendo uma cara de menina dengosa. Pediu que a levasse para casa e claro que ele disse que sim.
Desde o dia em que conhecer Margô, ela já tinha começado a dar em cima dele, mas fazia que não entendia. Só que depois de duas semanas na cidade, o flerte dela começava a ficar mais intenso.
Agora ele tinha que se fazer de calmo e educado, deixá-la em casa para só depois poder voltar para o conforto de seu quarto de hotel.
Nem sempre ser gentil é bom, muitas vezes é um saco. Como no caso agora. Lembrou-se do rapaz lá atrás que o ajudou e de que nem mesmo tinha lhe dado um obrigado, nem perguntou se precisava de algo.
De repente estava por ali pelo mesmo motivo que ele. Foi um relaxado, deveria ter perguntado.
— Você conhece aquele rapaz lá atrás?
— Que rapaz? – ela riu franzindo a testa — Ah, você quer dizer a garota. O nome dela é Beatriz – abanou a mão.
— Era uma garota? — olhou admirado.
Ela começou a rir e bateu as mãos.
— Meu Deus, não acredito nisso, que divertido. Você não viu que era uma mulher? Achou que era um homem? - cobriu a boca com a mão _ Ah, essa eu tenho que contar ao pessoal assim que chegar em casa — riu mais — Vai ser a nova piada interna. Eles vão rir muito comigo.