Súplica

1372 Words
Amélie e Jackson não demoraram muito a chegar em casa, na verdade o Marques parecia até com presa enquanto dirigia até a residência de ambos, antes mesmo de entrar no automóvel o alfa já havia advertido a ômega de que teriam uma "pequena" conversa quando chegassem. O trajeto até a casa foi incrivelmente silencioso, a Monteiro não conseguia olhar para outro lugar a não ser para suas mãos que estavam repousavadas sobre suas coxas e não pode deixar de reparar em como elas tremiam. Estava com medo, seu peito doía como o inferno enquanto sentia uma angústia crescente tomar conta de si. Saber o que estaria por vir parecia pior do que não saber. Quando finalmente chegaram a residência, a ômega fez a primeira coisa que passou pela sua cabeça para se proteger e apenas correu, ela sabia que Jackson tinha a péssima mania de deixar a casa destrancada quando saia, era mais uma questão de prepotência do que qualquer outra coisa, por ser ex policial, o homem pensava que ninguém se atreveria a entrar ali para tentar lhe roubar, então seria fácil para Amélie entrar, pela primeira vez agradecia por uma das terríveis manias do marido. Então quando o alfa enfim estacionou o carro, ela rapidamente abriu a porta do automóvel e correu para dentro do lugar ouvindo os gritos do Marques atrás de si, a Monteiro subiu as escadas tropeçando um pouco pelo caminho, mas nada que a fizesse parar, e foi até o banheiro trancando a porta do cômodo e segurando a maçaneta tentando atrasar de todas as formas o que estava por vir. Amélie sabia que mais cedo ou mais tarde Jackson conseguiria entrar, mas ela estava farta de tudo aquilo, só queria por um dia sequer não ter que sentir. Só queria ter um pouco de paz. Enquanto ouvia as batidas incessantes que o alfa desferia contra a porta acompanhadas de insultos e pedidos para que abrisse logo se não as coisas só se tornariam piores, Amélie tirou de seu bolso o papel que Eric havia colocado em sua mão quando a segurou no quarto do hospital. ... Eric estava dirigindo enquanto pensava se tinha feito a escolha certa ao entregar um cartão com seu número para Amélie no momento em que segurou sua mão, antes daquele homem levá-la embora. Talvez se o tal de Jackson encontrasse algo assim com a esposa poderia ficar ainda mais irritado do que já parecia e acabar descontando a raiva nela e só pensar nessa possibilidade deixava o Ramos completamente preocupado e se sentindo de certa forma culpado por algo que sequer sabia se iria de fato acontecer ou não, porém aquela foi a forma que encontrou para demonstrar à ômega que ela poderia se sentir segura em lhe ligar para pedir ajuda e esperava sinceramente que a mulher entendesse isso. A verdade é que antes do marido de Amélie aparecer, o médico já havia lhe dito que poderia ter alguma coisa errada naquela história e isso lhe deixou em alerta. 2 horas antes... -Quis falar com você em particular porque não sei muito bem qual a real natureza da situação-O beta começou parecendo um pouco cauteloso sobre o que deveria falar. Amélie já tinha feito todos os exames e já tinha sido levada de volta para o quarto quando o doutor Daniel, responsável por ela, chamou Eric para conversar, o alfa no início pensou que poderia ser algo relacionado a saúde da ômega, mas depois daquelas primeiras falas do médico tinha certeza que não era sobre isso que iriam conversar. -Sobre o que quer falar doutor?-O Ramos perguntou começando a ficar inquieto com aquela situação. -Bom, já tenho alguns anos de experiência e aqueles machucados não parecem ser de um acidente de carro como o que ela falou ter sofrido antes de ir para o trabalho, alguns hematomas são recentes, mas outros já são mais antigos, fora os indícios de fraturas antigas que ela tem pelo corpo-O médico falou em um tom preocupado vendo o alfa a sua frente endurecer as feições como se já começasse a imaginar o que estava por vir-Acho que aquela ômega está sofrendo violência doméstica e pelo andar da carruagem, não gosto muito de pensar nisso, mas se ninguém ajudá-la o pior não vai demorar muito a acontecer. O lúpus ouviu tudo aquilo com bastante atenção, ele com certeza não esperava por isso e em um primeiro momento não soube muito bem como reagir aquela informação, mas logo se recompôs e um misto de irritação e familiaridade tomaram conta de si. Seus punhos se fecharam sem que sequer percebesse enquanto tentava imaginar quem seria tão covarde ao ponto de fazer tal coisa com alguém que parecia tão indefesa quanto aquela mulher. -E o que podemos fazer? Temos que ligar para a polícia imediatamente-Eric falou enfático e no mesmo momento retirou o celular do bolso da frente de sua calça social preparado para acionar as autoridades, porém o beta logo segurou sua mão. -Escute, a própria Amélie me disse que tinha sido um acidente, o que me leva a pensar que mesmo que façamos uma denúncia ela se negará a prestar queixa-O médico falou vendo o Ramos respirar fundo parecendo cada vez mais irritado-Além disso, um delegado apareceu aqui se dizendo amigo do marido da ômega, então a situação não parece ser tão fácil assim, eu como médico tenho a obrigação de comunicar as autoridades caso hajam indícios de violência, mas não posso garantir que isso seja levado para frente e reais medidas sejam tomadas para protegê-la, principalmente quando o suspeito parece ter relações com as autoridades que deveriam cuidar do caso. Aquilo com certeza era uma merda e Eric estava odiando isso, parecia que era impotente diante daquela situação e não gostava nada daquilo, como também não gostava nada da sensação que aquilo lhe trazia de volta. -Você fala como se não pudéssemos fazer nada, então porque me chamou aqui?-O Ramos perguntou irritado tentando controlar as emoções ruins que estavam querendo tomar conta de si. -Eu só quero te pedir que tente fazer uma denúncia também ou que tente ajudá-la de alguma forma, vi como estava quando chegou com ela aqui, parecia muito preocupado, então sei que não vai se incomodar em tentar fazer alguma coisa-O beta falou e logo em seguida ouviu uma enfermeira chamar seu nome-Tenho que ir, mas por favor, pense no que eu disse, talvez se duas reclamações forem feitas eles não tenham muito o que fazer a não ser verificar. -Tudo bem, verei o que posso fazer. Atualmente... E era exatamente isso que estava tentando fazer agora, ajudar, o alfa estacionou o carro em frente a uma delegacia que ficava perto da sua casa e olhou para fachada do local pensando várias vezes como tinha se enfiado no meio daquela confusão, aquele era para ser apenas mais um dia em sua vida, mas estava se tornando um caos. Sabia que nada disso era culpa de Amélie, afinal ela era apenas uma vítima em meio a isso tudo, Eric culpava seu lobo por estar lá agora, esse lobo i****a que desde que colocou os olhos naquela mulher estava lhe fazendo agir como se não tivesse controle sobre suas ações ou emoções, parecia um homem impulsivo e aquilo era muito irritante, mas de uma coisa tinha certeza, não fecharia os olhos daquela vez, não tomaria as mesma escolhas que tomou quando era criança. Claro que ele sabia que também nao tinha nenhuma culpa por tudo que seus pais fizeram um contra o outro naquela época, porém aquela sensação de impotência que por muitas vezes lhe fez se sentir um completo inútil, lhe fazia pensar o contrário. Enquanto entrava no local, o alfa não conseguia parar de pensar no olhar assustado que a Monteiro dirigiu a si enquanto o marido a puxava para fora do quarto de hospital, um olhar que parecia mais uma súplica do que qualquer outra coisa. Tentaria fazer o possível para tirá-la dos braços daquele canalha. -Boa noite, gostaria de registrar uma queixa-Falou assim que chegou a recepção do lugar. -Boa noite, e do que se trata?-A atendente perguntou já se preparando para registrar o que fosse lhe falado. -Uma conhecida minha está sofrendo violência doméstica.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD