Angelina Garcia O expediente estava acabando. A última testemunha do dia havia desmarcado, e eu já sabia que o dia seguinte seria um caos. Peguei minha bolsa, cansada, com aquela sensação incômoda de que o pior ainda me esperava em casa. E ainda era só quarta-feira. Estava saindo quando o doutor Saulo entrou no elevador. — Tudo certo para amanhã? Confirmou com o cliente? — ele perguntou. Assenti, ajeitando a bolsa no ombro e a pasta nos braços. A dele, como sempre, ele trazia consigo. — Assim fica mais fácil, não acha? Sem barganhas, jogando limpo — comentou. Mas eu não achava o mesmo. Eu já estava acostumada com as coisas mais fáceis, aquelas que não cobravam tanto da gente. — E essa decisão de se divorciar… só veio agora por quê? — ele mudou de assunto de repente. — Eu esperei ele

