Saulo Prado Eu não aguentava mais nada. Depois do que Angelina fez comigo — depois de ser sugado, consumido, devorado —, tentei tomar café, tentei ler, tentei pensar em qualquer outra coisa. Mas meu corpo implorava por descanso. Enrolei até a cama e apaguei. Um sono pesado, exausto, rendido. Acordei no meio da tarde, zonzo, fraco, como se tivesse atravessado uma febre. Peguei o celular esperando encontrar dezenas mensagens, mas dela só havia apenas uma — uma única e curta mensagem dela: “Obrigada pela madrugada. Foi maravilhosa.” Só isso. Joguei o celular no colchão, com raiva e fascínio. Porque não havia cobranças, nem coraçãozinho, nem plano para o próximo encontro. Nada. Só um “obrigada”. E, de forma doentia, aquilo me excitava. Me prendia mais. Ela parecia me entender. Me deixava

