Saulo Prado Uma semana doce começava. Doce. Estranho colocar essa palavra em algo relacionado aos Prado. Porque, honestamente, tudo o que conheci vindo dessa família… foi abandono. E caos. Dor. O tipo de gente que machuca — e, ainda assim, não assume. Coloca compensações por cima, como se tampasse a ferida. Como se silenciasse a dor. Mas ali estava ela. Angelina Da Costa. Com o sorriso leve, a voz aveludada, e uma paciência quase surreal enquanto falava ao telefone com uma cliente qualquer. A pele radiante, o cabelo solto, arrumado, o sorriso de canto a canto… um brilho nos olhos invejável. No meu caso, só servia pra f***r com a minha concentração. Pela manhã, tinham sido dois encontros. Dois casos. Um, eu já tinha decretado como perdido. Enterrado. Indo para a terceira instância

